
O jornalista diz que, no mundo da música, Otto "ocupa um lugar tão incomum e pouco provável quanto seu o nome", capaz de combinar as texturas da música eletrônica com os ritmos tradicionais africanos.
Em seu texto, Rohter relembra o começo de carreira de Otto e afirma que o sertão de Pernambuco, onde o músico nasceu, ajuda a entender o que o brasileiro produz hoje. Para ele, as bandas de rua e os registros do samba e da música caipira brasileira contribuíram para a formação multifacetada de Otto.
Rohter também destaca a importância do movimento manguebit na carreira do brasileiro. O gênero popularizado por Chico Science e a banda Nação Zumbi na década de 90 fundia ritmos como o maracatu, frevo e ciranda com a batida eletrônica. O jornalista destaca que é a percussão de Otto que se pode ouvir nas gravações das bandas Nação Zumbi e Mundo Livre S/A.
Rohter ainda cita o primeiro disco solo de Otto, Samba Pra Burro, lançado em 1998. O álbum foi eleito um dos melhores do ano no Brasil e ganhou destaque no cenário e nas pistas de danças internacionais sendo, inclusive, elogiado por bandas como o Oasis.
Para Rohter, nem a demora de Otto em lançar um novo trabalho – o último foi Sem Gravidade, em 2003 – faz a música do cantor se perder. "Ele nunca está ocioso", diz citando a temporada que o brasileiro está passando em Nova York, onde mantém contato com músicos do mundo todo.
Aliás, o novo trabalho do pernambucano está preste a sair no Estados Unidos. Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos deve ser lançado no dia 1º de setembro nos Estados Unidos e só depois deve chegar ao Brasil.
O CD, segundo Rohter, começa e termina com uma sequência orquestrada e traz a participação da cantora mexicana Julieta Venegas em duas faixas.
O próprio Otto classifica seu novo trabalho como o mais maduro de sua carreira. "Eu estou com 41 anos e esse meu trabalho traz uma melancolia que espelha a minha visão do estado do mundo", disse ao NYT. "Mas a minha música continua receptiva a todas as coisas. Se há uma lição que eu aprendi, é que na música você é obrigado a ser aberto." (época)