segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Gráficos podem mudar o mundo

A Guerra da Crimeia acontecia no mar Negro, entre 1853 e 1856: um conflito sangrento entre a Rússia e uma coligação entre Inglaterra, França e Império Otomano. Uma guerra normal, com os feridos e mortos de sempre. Mas, às vezes, temos a capacidade de aprender com as tragédias. E esse foi o caso das fatalidades na guerra: elas causaram uma revolução nos hospitais do mundo que, ainda hoje, reduz bastante o risco de morte por infecção hospitalar. O cerne dessa revolução foi uma imagem. Uma imagem que não mostra campos de batalha, soldados feridos ou crianças mortas.

É uma imagem de números – um gráfico. Florence Nightingale, uma enfermeira inglesa, resolveu usar estatísticas sobre a morte de soldados para pintar um retrato da situação.

O diagrama revelou que a maioria dos soldados morria nos leitos de hospitais, e não nos campos de batalha – eram 10 vezes mais mortes causadas por tifo, cólera e disenteria do que por ferimentos de batalha. A falta de ar fresco, luz e higiene nos hospitais provocava milhares de mortes desnecessárias. Era a primeira vez que se via fatalidades militares com números – e o diagrama era tão dramático que o governo ingles resolveu melhorar as condições sanitárias dos hospitais militares. E, assim, reduziu a mortalidade de soldados de 42% para 2,2%. Tudo graças a uma imagem.

Visualização é isso: o poder de contar histórias e tomar decisões baseando-se em dados. Visualizações fazem com que assuntos complexos se tornem concretos e acessíveis. Em 2006, por exemplo, Al Gore transformou o debate mundial sobre aquecimento global ao subir em um guindaste para mostrar uma curva que representava o aumento de CO2 e da temperatura na Terra. Imagine se Al Gore, em vez de gráficos, tivesse mostrado apenas uma tabela de centenas de números? Quantas pessoas teriam entendido a gravidade da situação?

É por isso que a visualização é o fotojornalismo do século 21. Não só retrata os fatos da nossa época, mas motiva o debate. Visualizar dados governamentais, por exemplo, cria um espelho do país, mostrando suas conquistas e mazelas. E fazer isso não precisa ser complicado. Já há sites que disponibilizam, de graça, ferramentas sofisticadas de visualização. Quando eu criei o Many Eyes, imaginei um site onde qualquer um pudesse visualizar os dados que desejasse. Há pessoas que o usam para enxergar o conteúdo do freezer.
Outras, os convidados de seu casamento. Crianças descobrem os tipos de meias que têm em casa. A habilidade de transformar números em imagens e entender o que elas significam será cada vez mais importante. Pois quem brinca de visualizar meias de familiares hoje visualiza o orçamento governamental amanhã.. Veja aqui, 5 gráficos que mudaram o mundo

Fernanda Viégas é pesquisadora e designer computacional na IBM, com Ph.D. pelo Media Lab do MIT.

Do fundo dos oceanos

Projeto mundial que envolve mais de 80 países registra estranhas criaturas das profundezas do oceano – algumas delas nunca antes vistas pelo homem.

O Censo da Vida Marinha (Census of Marine Life) pretende estudar a diversidade, distribuição e abundância da dos animais do oceano. Até agora, o projeto de uma década (com término em 2010) já descobriu mais de 5.300 novas espécies e catalogou outras milhares pouco estudadas.

Uma das descobertas mais recentes é uma nova espécie de criatura conhecida como “Dumbo”. O animal que ilustra essa reportagem (Grimpoteuthis sp.) vive entre mil e três mil metros de profundeza e possui oito braços e nadadeiras na cabeça - que lembram as orelhas do elefante voador da Disney.

Os pesquisadores do Instituto Smithsonian coletaram também o maior exemplar de uma espécie de dumbo já conhecida (Cirrothauma magna), com cerca de dois metros e pesando seis quilos.

Estes só alguns exemplos dos animais encontrados nas profundezas do oceano. Em regiões que podem chegar a cinco mil metros de distância da superfície, já foram mais de 17.650 espécies registradas – criaturas que variam de camarões a vermes.

Vivendo sem jamais ver a luz do sol, a maioria desses animais está adaptada a uma alimentação de restos vindos da superfície, como ossos de baleias, enquanto outros ingerem bactérias que quebram óleo, enxofre e metano.

Dos 14 projetos do Censo, cinco são voltados à exploração dessas zonas do oceano, totalizando 344 cientistas de 34 países. Abaixo, algumas das espécies registradas no projeto.

O Neocyema vive entre dois mil e 2.500 metros abaixo da superfície. Somente cinco exemplares deste peixe foram coletados na história.


A 2750 metros, no golfo do México, um pepino do mar transparente (Enypniastes) se move a dois centímetros por minuto e se alimenta sugando detritos da água com sua boca.



Uma nova espécie de camarão fantasma (Vulcanocallix arutynovi) foi encontrada a 1324 metros de profundidade na lama de vulcões no Golfo de Cadiz.


Nordeste do Brasil, a bola da vez nos investimentos


*revista exame ( clique na imagem para ampliar )

domingo, 29 de novembro de 2009

O vinil de todos os tempos

O chiado das velhas bolachas, a arte de acertar a agulha no início da faixa preferida, as mensagens satânicas que podem ser ouvidas rodando o disco de trás para a frente, as capas e os encartes maravilhosos, alguns assinados por artistas como Andy Warhol, a barreira física de pouco mais de 20 músicas de cada lado, onde cabem até seis petardos de roqueiros como os Ramones, ou o Bolero, de Ravel, dependendo do gosto do freguês... Esse mundo do disco de vinil parecia enterrado para sempre com o advento do CD, em meados dos anos 80. Numa das reviravoltas mais surpreendentes e carregadas de ironia da história da indústria musical, eis que a situação hoje é mais ou menos a seguinte: o CD perdeu grande parte de seu encanto e parece estar com os dias contados, atropelado pelo tráfego de arquivos musicais na internet e todas as suas consequências, como o iPod; enquanto isso, o LP ressurge das cinzas e, como atestam as vendas crescentes de álbuns e de equipamentos analógicos, tem mais chance de garantir um lugar ao sol no século 21, ainda que apenas como um nicho de mercado.

Nos Estados Unidos, o principal mercado do mundo, as vendas de LPs em 2009 devem chegar a 2,8 milhões de unidades, ou 50% mais que o número de 2008, segundo dados da Nielsen SoundScan, entidade que monitora a indústria fonográfica. Os CDs seguem em direção contrária, embora representem um mercado muito maior. A última estatística disponível, referente a setembro, chegou a ser comemorada -- queda de "apenas" 5,9% nas vendas. O sopro de otimismo da indústria ocorreu porque foi o segundo mês do ano com um declínio menor que dois dígitos. Em resposta a esse ressurgimento do som analógico, a indústria de equipamentos de som vem apresentando versões para o século 21 dos toca-discos. Durante boa parte dos anos 80 e 90, a tecnologia desse produto simplesmente hibernou e ele era visto com mais frequência nas mãos de DJs do que nos equipamentos de som domésticos. Agora, a coisa mudou. Agulhas de ouro, dock para gravação das músicas direto para um iPod e feixe de laser para ler os sulcos das bolachas estão entre os acessórios disponíveis nessa nova geração de vitrolas. Os preços podem superar os 500 000 reais.

No Brasil, embora não existam estatísticas referentes às vendas de LPs, é possível ver que algo diferente está acontecendo por meio de pistas indiretas. A principal delas é a reabertura da Polysom, no Rio de Janeiro, prevista para ocorrer no próximo mês. A Polysom foi a última fábrica de discos de vinil a fechar no país, em outubro de 2008. O espólio acabou nas mãos do empresário João Augusto, dono da gravadora Deckdisc, que ficou com o negócio ao assumir as dívidas da Polysom (ele não revela o valor da transação). "Estamos nos preparando para produzir quase 30 000 LPs por mês", diz. As gravadoras nacionais que lançam álbuns de seus principais artistas com versões em vinil (uma política cada vez mais comum aqui e lá fora) são obrigadas hoje a importar a matéria-prima. A Sony do Brasil, por exemplo, colocou na praça no início deste ano a coleção Primeiro Disco, com bolachas de artistas como Chico Science & Nação Zumbi e João Bosco. Em 2010, a coleção segue com AC/DC, Pink Floyd e outros astros internacionais.

O relançamento de bolachões de alguns dos dinossauros do rock pode dar a falsa impressão de que o renascimento do vinil faz parte de uma onda saudosista, da mesma veia retrô que transformou as velhas geladeiras em objetos descolados de decoração. Na verdade, até consumidores da era digital andam à procura de LPs e toca-discos nas lojas especializadas. Na montagem de modernos home theaters, os equipamentos de som analógicos passaram a ser itens cada vez mais requisitados. "Em 20% dos projetos, nossos clientes pedem para incluirmos toca-discos", afirma Patrícia Duarte, uma das sócias da Raul Duarte, um dos pontos de venda mais tradicionais de São Paulo no comércio de aparelhos de som de última geração. Além da qualidade sonora - para muitos audiófilos, o vinil ganha de goleada do CD nesse quesito -, a falta de praticidade do produto é, curiosamente, um dos diferenciais que provocam fascínio entre os compradores. "Não dá para ouvir um vinil no ônibus, na praia, na pista de cooper", afirma o baterista Charles Gavin, que se divide entre o trabalho com os Titãs e as funções de produtor musical especializado no relançamento de pérolas perdidas no catálogo das gravadoras. "As novas gerações estão descobrindo o prazer que há no ritual de colocar um disco para ouvir na vitrola. Para essa turma, é uma forma diferente de degustar suas bandas preferidas." (exame)

Um gringo no meio do rapa

Professor do Massachusetts Institute of Technology, o psicólogo israelense Dan Ariely é um especialista em comportamento do consumidor. Autor do livro Previsivelmente Irracional, lançado no ano passado, Ariely prega que as várias decisões que tomamos são influenciadas por forças invisíveis, como emoções e normas sociais, e que nos induzem a fazer escolhas "previsivelmente irracionais". Ao ser convidado por EXAME para visitar a rua 25 de Março, no centro de São Paulo, Ariely foi avisado de que o lugar era um centro de compras de rua que nada lembrava os shopping centers. Ao chegar à região numa tarde de setembro, o professor se disse encantado com o que viu. "É um lugar muito excitante, cheio de cores, barulho, ação e ofertas." Segundo Ariely, a região aguça o instinto de caça do consumidor, que fica estimulado com a sensação de desbravar as ruas em busca de uma "presa". "As pessoas vêm para cá sabendo que vão fazer um grande negócio, mas elas não têm a menor noção de onde irão encontrá-lo nem quando. Essa parte imprevisível é um sentimento muito estimulante", afirma.

Nas 2 horas em que permaneceu na 25 de Março, Ariely passeou pelas banquinhas de camelô ("Você pode perguntar a ele quanto custa aquele brinquedo do Ben 10 ali?", pediu ele à repórter), entrou no Armarinhos Fernando para conferir se o preço dos brinquedos era bom e ficou impressionado com a ação dos guardas civis fiscalizando os ilegais. "Por que, quando os guardas passam andando, os vendedores saem correndo?", perguntava Ariely, impressionado com a rapidez com que os vendedores ilegais fugiam durante o "rapa" da fiscalização. No fim do passeio, comprou um pen drive de um camelô, por 30 reais, e encerrou a jornada com a compra de figos e a degustação de um sanduíche de bacalhau no Mercado Municipal. "Adorei. Nos Estados Unidos, as pessoas vão ao shopping e ao cinema como forma de entretenimento. Se eu pudesse escolher onde me divertir, escolheria aqui. É um monte de produtos, de coisas acontecendo, muita ação e música", afirmou. "Nunca vi nada igual." (exame)

abaixo, uma imagem da rua 25 de março que no período natalino recebe mais de 1 milhão de pessoas diariamente.


Modem 3G que é pendrive e assite TV digital

A operadora celular Vivo começa a vender, a partir desta semana, modem de acesso à internet móvel 3G com receptor de TV digital integrado.

Fabricado pela ZTE, o modem 3G MF645 é compatível com o padrão ISDB-T da TV digital brasileira e permite sintonia, no computador, dos canais abertos de TV digital nas regiões onde já está disponível. O dispositivo pode ser usado ainda como pendrive.

sábado, 28 de novembro de 2009

Clube da Esquina - para sempre

Felicidade Interna Bruta

O país perdeu tanto tempo vendo os presidentes Lula e Ahmadinejad torturarem intérpretes para abrir a conexão português-inglês-farsi, que não deu a mínima a um visitante muito mais exótico, que andou por aqui quase ao mesmo tempo que o iraniano. No caso, o primeiro-ministro do Butão Lyongpo Jigme Thinley. Ele sim, tinha assunto para encher jornais, pelo menos nos segundos cadernos. Convidado a testar em Foz do Iguaçu um carro elétrico desenvolvido pela Fiat em parceria com Itaipu, pegou o volante na sede da usina e só o largou na sede do hotel.

Em outas palavras, sem ter nada a esconder, divertiu-se placidamente. Almoçou no bandejão classe A da empresa. Adorou o canal da piracema, que promove a migração de peixes através da barragem. Passeou pela hidrelétrica, alegando que, dispondo de água a rodo, um dos pratos fortes da exportação butanesa é a energia que vende à Índia e à China. No hotel Rafain, deslizando entre o elevador e o saguão de quimono de seda e sandálias no pé, dava a impressão de estar sempre lançando a última palavra em moda para sauna ou piscina.

Mas ele veio ao Brasil ensinar como se administra um país pelos preceitos da Felicidade Interna Bruta. A idéia brotou anos atrás de uma das monarquias mais isoladas da terra. O Butão não passa de um país com pouco mais de 38 quilômetros quadrados, enrugado por montanhas com mais de sete mil metros de altitude e coberto florestas originais em quase 65% de seu território. É habitado por raridades, como o leopardo das neves, elefantes asiáticos, mais de 50 espécies de rododendros e 700 de pássaros e orquídeas inumeráveis. Mas tem menos de 700 mil habitantes.

É o cenário da moda. Buthan, a Visual Odyssey, de Michael Hawlley, mereceu uma edição de luxo com 58 quilos de peso, 40 mil fotografias e as dimensões de uma mesa para seis comensais. Sai por 30 mil dólares. Mas tem versão barata, por 50. Dizem que foi de lá que no século passado o escritor inglês o escritor inglês James Hilton tirou a idéia de Xangrilá.

O fato é que tudo o que se imagina do Nepal o Butão tem. Menos turismo de massa. Em 2008, ele acolheu 21 mil turistas, que só podem visitá-lo pelas mãos de um guia da agência oficial. A televisão e a internet só entraram legalmente no país há uma década, e com recomendações de uso moderado. Sua economia não é lá essas coisas. A moeda local se ancora na rúpia indiana. Sua principal indústria é a produção artesanal de peças religiosas. Suas relações diplomáticas com os Estados Unidos, a Rússia e outras potências se fazem via Nova Déli.

O Butão tem uma longa história de guerras, golpes e até impeachments monárquicos. Mas anda cada vez mais quieto. Sua Felicidade Interna Bruta está entregue a um rei que ainda não fez 30 anos. E a um conselho que aplica a receita da FIB a partir de 72 indicadores sociais, onde têm peso o tempo de lazer de cada cidadão e sua bem-aventurança ambiental – reduzido a um decálogo de exportação por seu apóstolo internacional Laurence Brahm. O fato é que, lá, o noticiário policial, à falta de assuntos mais trepidantes, registra queixa de vizinhos por briga de cachorros.

Quando o FIB surgiu, o jornal Financial Times tratou-o como o roteiro de uma viagem mística em marcha a ré. Mas ultimamente as pesquisas de opinião pública atestam que só 3% dos butaneses se declaram infelizes. Há três anos, a revista Business Week, apoiada numa enquete da universidade de Berkeley, pôs o Butão num honroso oitavo lugar entre os países mais felizes do mundo. Perdia para a Dinamarca, a Finlândia e a Suécia, sem dúvida. Mas, até na categoria dos reinos-encantados, ganhava de Luxemburgo. As economias mais fortes do mundo, montadas em PIBs gigantescos, vinham muito atrás, comendo a poeira do crescimento acelerado, que na época elas mesmas levantavam. (marcos sá correa)

* veja aqui, imagens do butão e aqui

Olhos do camarão ajudam no desenvolvimento do novos DVDs

O camarão mantis no estudo encontram-se na Grande Barreira de Corais da Austrália e têm o sistema de visão mais complexo conhecido pela ciência. Eles podem ver em doze cores (os seres humanos em apenas três) e pode distinguir entre diferentes formas de luz polarizada.

Células especiais sensíveis à luz nos olhos do camarão mantis atuam como lâminas de λ/4– que podem girar o plano das oscilações (polarização) de uma onda de luz passando por ela. Esta capacidade torna possível para o camarão mantis converter luz polarizada linearmente à luz circularmente polarizada e vice-versa. Lâmina de λ/4 fabricadas desempenham essa função essencial no CD e DVD e em filtros polarizadores circulares para as câmeras.

No entanto, esses dispositivos artificiais tendem a trabalhar bem com apenas uma cor de luz, enquanto o mecanismo natural dos olhos do camarão mantis trabalha quase perfeitamente em todo o espectro visível – desde o ultra-violeta até o infra-vermelho.

Dr. Nicholas Roberts, autor do paper Nature Photonics disse: "Nosso trabalho revela pela primeira vez, o design único e mecanismo de lâminas de λ/4 nos olhos do camarão mantis. É realmente excepcional – muito superior a qualquer coisa que nós seres humanos fomos capazes de criar até agora."

O porquê essa camarão mantis tem uma sensibilidade tão apurada à luz circularmente polarizada não é claro. No entanto, a visão de polarização é utilizada pelos animais para comunicação sexual ou comunicação secreta, que evita a atenção de outros animais, especialmente os predadores. Também poderia ajudar na localização e captura de presas por melhorar a clareza das imagens subaquáticas. Se este mecanismo no camarão mantis proporciona uma vantagem evolutiva, seria facilmente selecionados por requer apenas pequenas alterações às propriedades das células existentes no olho.

"O que é particularmente interessante é como belamente simples isto é", continuou o Dr. Roberts. "Este mecanismo natural, composto por membranas de células em tubos, supera totalmente os designs sintéticos.

"Isso pode nos ajudar a fazer dispositivos ópticos melhores, no futuro, utilizando equipamentos de cristal líquidos quimicamente projetados para imitar as propriedades das células no olho do camarão mantis."

Esta não seria a primeira vez que os seres humanos olharam para o mundo natural para novas idéias, por exemplo, o olho composto da lagosta recentemente inspirou o desenho de um detector de raio X para um telescópio astronômico.

A pesquisa de camarão mantis foi realizada na Universidade de Bristol, na Faculdade de Ciências Biológicas, em colaboração com colegas na UMBC, EUA, e da universidade de Queensland, Austrália. (agenda sustentável)

Viajando pelas cidades históricas mineiras

Quem está em busca de cultura geral além dos habituais descanso e prazer precisa seguir o interessante Circuito do Ouro das Cidades Históricas de Minas Gerais. A principal atração do circuito é Ouro Preto, cidade que foi declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco. Palco de um dos grandes momentos da história brasileira, a Inconfidência Mineira, a cidade é a preferida pela maioria dos visitantes, que lá encontram boas opções de hospedagem, de albergues a hotéis 5 estrelas, boa comida e muita história.

O próprio edifício do Museu da Inconfidência já é histórico. O museu está no prédio da antiga cadeia da cidade e lá estão sepultados nove inconfidentes. Ali também estão as supostas traves de madeira usadas para enforcar Tiradentes, além de abrigar um acervo de arte sacra dos séculos XVIII e XIX.

A leitora do Opinião e Notícia Maria Helena Silva ficou admirada com a movimentação da cidade em um feriado de Finados. “Durante o dia, desci a ladeira ao lado do Museu e cheguei à Igreja São Francisco de Assis. À noite fui a um restaurante muito interessante. Na hora da saída, ouvi um som, era uma festa nos arredores da Praça Tiradentes. A cidade estava movimentada num dia sem expectativas, imaginem no Carnaval!”

Ainda no Centro Histórico, estão algumas igrejas construídas em estilo barroco e rococó, que marcam a religiosidade portuguesa da época.

A primeira, a Igreja de São Francisco de Assis, é a obra-prima dos dois grandes artistas brasileiros, o escultor Antônio Francisco Lisboa — o Aleijadinho — e o pintor Manuel da Costa Ataíde. O forro da nave da igreja precisou de dez anos para ser concluído, e o resultado é uma impressionante ilusão de ótica, graças aos pilares pintados em perspectiva. Outra igreja a ser visitada é a Igreja de Nossa Senhora do Pilar, a segunda mais rica do país. No revestimento da igreja foram utilizados 434 quilos de ouro. Os entalhes foram feitos por Francisco Xavier de Brito, mestre de Aleijadinho.

A última igreja a ser construída em Ouro Preto foi a de São Francisco de Paula, que só foi concluída em 1884. Infelizmente, o conjunto arquitetônico do qual ela faz parte foi muito descaracterizado pela favelização de seus arredores. Cerca de 60% das pessoas que moram no centro de Ouro Preto vivem nos morros.

Ao sair de Ouro Preto, é possível ir de Maria Fumaça à cidade de Mariana, que também faz parte do roteiro turístico. Quem quiser economizar pode pegar um ônibus interurbano e pagar uma passagem de R$ 2,55, mas irá perder toda a magia de andar sobre a estrada de ferro construída no século XIX. Além disso, a estação de Mariana abriga uma biblioteca e painéis que contam a história da cidade.

Na cidade de Congonhas está o que, na opinião da leitora Amélia Garcia, é o que de fato vale a pena na viagem às cidades históricas: os célebres 12 apóstolos de Aleijadinho. As esculturas estão na entrada da Basílica do Senhor Bom Jesus de Matosinhos. “É impressionante. Ainda mais por saber que ele talhou os apóstolos já praticamente sem as mãos. Com as ferramentas amarradas nos punhos”, conta a leitora. (opinião e notícia).




sexta-feira, 27 de novembro de 2009

6 anos

Sacolas plásticas feitas a partir de bactérias

Uma equipe de pesquisadores da Coréia do Sul conseguiu produzir polímeros sem utilizar combustíveis fósseis.

Com a ajuda da bactéria E.coli, os cientistas da Universidade Kaist criaram um processo de fermentação que pode servir para a produção de plásticos menos agressivos ao meio ambiente.

No dia a dia, os polímeros podem ser encontrados nos mais diversos itens na forma de plásticos e borrachas. Eles são produzidos, normalmente, a partir do refino de petróleo.

No entanto, a pesquisa liderada pelo professor Sang Yup Lee com participação da empresa LG Chem, resultou na produção de ácido polilático (PLA), um polímero biodegradável e que possui menores níveis tóxicos para humanos.

Até agora, o PLA era produzido em um processo de dupla fermentação e polimerização. A nova técnica utiliza uma espécie modificada da bactéria E.coli para produzir o PLA e seus co-polímeros através de fermentação direta.

Esse processo, além de baratear os custos de produção, torna a molécula mais ecológicas. O trabalho, disponível online, foi publicado na Biotechnology and Bioengineering.

UrbanBuds, uma mini-horta portátil


Com o crescimento demográfico, os espaços nas grandes cidades se tornaram cada vez mais multiculturais e diversificados. Para o designer Gionata Gatto a alimentação está presente nesse mix cultural como uma forma de identidade de cada grupo. Por isso, ele decidiu criar algo que simbolizasse essa mistura e valorizasse a bagagem cultural de todos os povos presentes nos centros urbanos.

Assim surgiu o UrbanBuds, uma mini-horta portátil em forma de mala que pode comportar até 36 pés de frutas, legumes, verduras e hortaliças. “Costumamos dizer que sempre que nos mudamos trazemos conosco a nossa bagagem cultural, o nosso saco de experiências”, afirma Gatto. Influenciado por essa concepção ele criou o objeto, que é recheado de terra e funciona como uma horta vertical.

Basta plantar as sementes ao redor da mala-horta e cuidar como uma plantação regular. As plantas irão crescer ao longo do objeto e transpor a camada de tecido que sustenta o solo e as raízes. Dentro de algum tempo, será possível colher a safra com em uma horta comum.

Cultivando redes

Mais do que apenas cultivar uma horta, o projeto pretende transformar a relação dos moradores de um bairro. “As pessoas podem modificar espaços não utilizados da vizinhança, transformando esses locais em áreas dedicadas à socialização, onde eles podem cultivar sua própria horta, atender a outros bairros e criar novos relacionamentos.”, conta o criador.

“Nas zonas urbanas, onde as diferentes culturas convivem, a colaboração e o diálogo conjunto podem contribuir para a afirmação das novas comunidades. Como consequência, os grupos tornam-se mais ativos, presentes e autônomos. Por esta razão, aspectos como a configuração de uma área urbana, as atividades propostas para seus espaços, a participação dos cidadãos no seu desenvolvimento e a reavaliação do terreno que não estiver sendo utilizado pode contribuir para a qualidade das relações entre os moradores e suas culturas”, completa.

The revolution door

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

As abelhas estão sumindo

Tudo está bem na colmeia. Milhares de abelhas, cada uma com sua função, trabalham numa harmonia perfeita. Até que algo estranho acontece. Sem motivo aparente, as abelhas surtam: simplesmente abandonam a colmeia, deixando para trás suas larvas, para nunca mais voltar.

Ninguém sabe para onde elas foram, nem se ainda estão vivas - pois não há rastros ou insetos mortos nos arredores da colmeia. É um comportamento muito estranho, eque está se espalhando pelo mundo: as abelhas de 10 países já apresentaram essa síndrome, que foi batizada de colony collapse disorder (“desordem de colapso de colônia”, em inglês).

Só nos EUA, o lugar mais afetado pela doença, 50 bilhões de abelhas sumiram, esvaziando 40% das colmeias do país. Os primeiros casos da síndrome apareceram em 2006, mas só agora os cientistas descobriram o que está fazendo as abelhas fugir. “É uma infecção por vírus, que danifica o código genético dos insetos”, afirma a entomóloga May Berenbaum, da Universidade de Illinois.

Esse vírus, que ainda não foi isolado, causa modificações em 65 genes dos insetos – e isso é que estaria provocando o comportamento bizarro das abelhas, cujo desaparecimento pode ter consequências muito mais graves do que a falta de mel. As abelhas são responsáveis pela polinização de mais da metade das 240 mil espécies de plantas floríferas que existem no mundo. Sem as abelhas, essas plantas não teriam como se reproduzir e sobreviver. Se um mundo sem abelhas já seria ruim, imagine sem flores. (planeta sustentável).

Emissão de CO2 na Amazônia

Da Amazônia foram lançadas na atmosfera uma média de 800 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) por ano entre 1998 e 2008, apenas com desmatamento. A margem de erro é de 15%, para cima e para baixo. A taxa chega perto ao crescimento das emissões dos Estados Unidos entre 1990 e 2007 - 830 milhões de toneladas de CO2 equivalente - conforme dados das Nações Unidas (ver aqui). As emissões globais de CO2, juntando as “mudanças no uso da terra”, como desmatamento e agricultura, com a queima de combustíveis fósseis é de 32 bilhões de toneladas anuais.

Isso posiciona a contribuição do bioma entre 1,1% e 1,9% das emissões globais e representa entre 16% e 20% das emissões brasileiras de todos os setores, em 2008. As estimativas foram apresentadas hoje pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em Brasília. Pará, Mato Grosso e Rondônia, estados campeões de desmatamento neste período, são as unidades da Federação que mais contribuíram com as emissões brasileiras.

Para que o Brasil atinja sua meta de chegar em 2020 com um corte nacional de até 40% nas emissões, a contribuição anual da Amazônia deverá passar dos 800 milhões de toneladas anuais de CO2 medidas naquela década para 200 milhões de toneladas anuais. A taxa de sete mil quilômetros quadrados desmatados entre 2007 e este ano passado é importante, mas é preciso manter as derrubadas sob controle, mesmo com crescimento da economia. Anos eleitorais, como o que chega, registram picos históricos de desflorestamento.

O trabalho realizado em dois meses sob a batuta da pesquisadora Ana Paula Dutra de Aguiar (Inpe) estimou em 210 toneladas por hectare a biomassa das áreas desmatadas na região. Cerca da metade desse material se transforma em CO2. Outras áreas da Amazônia são ainda mais ricas em biomassa, informou a especialista.

O levantamento também mostra que um quarto da área desmatada ganha novo verde com o crescimento da chamada “vegetação secundária”. No Pará, Mato Grosso e Rondônia a área regenerada somada chegaria ao tamanho do estado do Rio de Janeiro. No entanto, metade desta nova floresta é novamente derrubada. “Não se pode contar de novo essas emissões, se não inflacionaríamos a conta nacional”, disse Jean Pierre Ometto, do Inpe. Ele também alertou que o Cerrado é grande contribuinte para as emissões brasileiras, mesmo com o crescimento da fatia verificada em outros setores, como indústria.
Por isso, quando o monitoramento sobre desmates chegar a todos os outros biomas - no Cerrado começou há cerca de um ano - será possível apontar com mais precisão as emissões brasileiras por perdas de vegetação nativa. Por enquanto, é feito com base em mapas não oficiais e grande dose de estimativas. “O que não aparece não quer dizer que não exista”, lembrou José Marengo, do Inpe.

Novo inventário

Na apresentação dos dados, Sérgio Rezende, ministro de Ciência e Tecnologia, disse que 70% do trabalho para o novo inventário nacional de emissões está concluído e já serve de base para as metas brasileiras que serão apresentadas em Copenhague. “Estamos mais otimistas agora do que há um mês sobre os resultados de Copenhague. Pela mobilização de outros países e porque o Brasil está fazendo essa ponte entre países desenvolvidos e em desenvolvimento”, comentou o ministro Carlos Minc.

Ainda segundo ele, o inventário começou a ser trabalhado de forma expressa há dois meses e abarcará emissões de todos os setores até 2005. Uma primeira versão deve ser lançada no início do ano que vem, com versão definitiva no segundo semestre. As metas nacionais devem ser aprovadas no Congresso, como lei. “Dados de alguns biomas ainda não são levados em conta com a devida precisão”, comentou.

Também foi instalado hoje o painel brasileiro de cientistas sobre mudanças do clima, primeiro do tipo criado em um país em desenvolvimento. A direção ficou por conta de Carlos Nobre (Inpe) e Suzana Kahn, secretária do Ministério do Meio Ambiente, ambos ligados ao painel das Nações Unidas sobre alterações climáticas, o IPCC. O grupo tem representantes de órgãos de governo e academia. Seu trabalho não será remunerado, mas recursos virão dos ministérios da Ciência e Tecnologia e Meio Ambiente para viabilizar suas reuniões.

De acordo com Carlos Nobre (Inpe), o painel movimentará a comunidade científica brasileira para produzir e publicar novas e melhores informações sobre as mudanças do clima, com dedicação especial à adaptação a seus efeitos. “Passamos do ponto para evitar aumento de temperatura”, ressaltou.

Segundo Suzana Kahn, o Brasil é carente em literatura científica sobre mudanças do clima e, com o funcionamento do painel, será possível até influenciar os próximos relatórios do IPCC, inserindo visões regionais sobre efeitos e combate aos destemperos climáticos no documento. “Quanto mais conhecimento tivermos sobre vulnerabilidade, mitigação e formas de adaptação, mais influenciaremos os relatórios e melhor desenharemos políticas públicas. Além de colocar o Brasil em melhor posição no cenário internacional”, disse. (oeco)

Cavernas no nordeste do Brasil

Quatro expedições oficiais fizeram a Caverna de Trapiá (foto), em Felipe Guerra, ser reconhecida como a maior formação desse tipo no Rio Grande do Norte e uma das maiores do país, com 2.330 metros mapeados.

O estado tem 323 cavernas cadastradas pelo Cecav/ICMBio, em média com trezentos metros. O tamnho de Trapiá é mais de três vezes superior ao da segunda no ranking estadual, com 730 metros, e ultrapassa o de uma das maiores grutas do Nordeste, a Ubajara, no Parque Nacional de Ubajara (CE), com 2.200 metros.
Segundo pesquisadores da Universidade de São Paulo, a caverna descoberta em 2003 é a maior do Brasil em rochas formadas entre 144 e 65 milhões de anos atrás. Em seu interior há grande quantidade de fósseis de animais pré-históricos, como preguiças gigantes. A exploração também revelou "espeleotemas" incomuns, como helictites, velas e as primeiras flores de gipsita em cavernas do Rio Grande do Norte.
A quase quatrocentos quilômetros de Natal, a caverna fica em uma área com baixa ocupação humana e praticamente sem atividades produtivas. Por enquanto, não há ameaças, diz o governo. (oeco)

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

As melhores fotos de 2009 da National Geographic

Até 4 de dezembro você poderá votar na escolha das melhores fotos de 2009 feitas pelos fotografos que trabalham para National Geographic. As fotos de excelente qualidade, dificultam a escolha. Confira e escolha as fotos que estão divididas em 3 categorias: pessoas, lugares e natureza.

A literatura americana vista através de um copo de uísque

Quem bebeu mais: Charles Bukowski, Jack London ou Scott Fitzgerald? Impossível precisar qual quantidade de álcool está na retaguarda da obra dos três escritores americanos que, em vida, não cansaram de expor ao público os seus pileques. Como eles, muitos outros, mais ou menos discretos, tinham o hábito de conjugar os verbos beber e escrever ao mesmo tempo. É o que mostra o "Guia de Drinques dos Grandes Escritores Americanos", que acaba de sair pela Zahar (104 páginas, R$ 34).

Trata-se de um livrinho de capa dura e formato de bolso, ilustrado por Edward Hemingway - ninguém menos do que o neto do escritor - com texto do roteirista de televisão e cinema Mark Bailey. É uma compilação de frases e trechos de livros de 43 autores, entre os quais oito mulheres. Embora grande parte dos escritores fosse adepto do uísque ou de bebidas puras, cada um deles é homenageado com um drinque. As receitas, clássicos da coquetelaria, foram desenvolvidas e testadas pela dupla Hemingway e Bailey, que acrescenta pitadas históricas sobre a criação dos drinques.

Apesar do evidente ar de caça-níquel e das curiosidades a respeito dos autores serem típicas de revistas de celebridades, o livro tem certa graça. Mostra, por exemplo, que se a literatura abriga menos mulheres do que homens, o dito sexo frágil (realmente mais frágil para o álcool) também é capaz de beber em quantidades industriais sem qualquer recato.

"Gosto de um Martini/dois, no máximo/com três estou embaixo da mesa/com quatro, embaixo do anfitrião", dizia a poeta e contista Dorothy Parker. Bebedora contumaz, Parker teve uma vida solitária e seu único romance duradouro parece ter sido com a bebida. Mais versátil na troca de drinques do que na de afetos, passou pelo gim e pelo uísque até descobrir o champanhe. Fato que a levou a poetizar com ironia: "Três são as coisas que nunca terei: inveja, contentamento e champanhe suficiente".

Entre os romancistas, críticos, poetas e roteiristas listados ali, cinco ganharam o Nobel e 15, o prêmio Pulitzer. Mas quando se trata de bebida, os limites entre o prazer e o perigo são tênues, sabe-se. Se farras etílicas foram responsáveis por grandes páginas da literatura, igualmente redundaram em grandes tragédias.

Os textos sobre cada escritor são curtos e navegam de forma a contrapor a inspiração e as crises de criatividade, num turbilhão movido a álcool ou a juras de abstinência. É inacreditável verificar que alguns desses prosadores atingiram o recorde pessoal ao beber 60 horas seguidas e outros, como Jack London, foram capazes de sorver saquê noite e dia durante uma semana de estadia no Japão. Há histórias como a de Jack Kerouac, autor de "On the Road", que, depois de desmaiar num bar de marinheiros no porto de Boston acordou a bordo do SS Dorchester com destino à Groenlândia.

Assim como Marilyn Monroe - que tinha por hábito tomar gim no café da manhã durante as filmagens de "Os Desajustados" (John Huston, 1960) -, a primeira refeição de Hunter Thompson, típica de um alcoólatra, incluía quatro bloody marys. Era a "âncora psíquica" do pai do "jornalismo gonzo" que, mergulhado em álcool e drogas escreveu "Medo e delírio em Las Vegas". O romance virou filme e o ébrio Thompson foi interpretado no cinema por Johnny Depp.

Em matéria de casais embriagados e escandalosos nenhum foi páreo para Zelda e Scott Fitzgerald, que simbolizaram a "geração perdida" e os loucos anos 20. Com o sucesso precoce de Fitzgerald e muito dinheiro no bolso, o par viveu entre Paris e a Riviera francesa indo de festa em festa e alimentando a crônica social com porres homéricos.

Embora menos festejado, o romance entre Lillian Hellman e Dashiell Hammett rendeu incontáveis baixarias. Durante trinta anos a dupla manteve um caso de amor conturbado, cheio de idas e vindas, movido a muitas taças e ressacas inesquecíveis. Numa das ressacas, por vingança, Lillian tomou um avião de Nova York a Los Angeles (onde morava Hammett) só para espatifar o seu bar. Discussões e incidentes potencializados por bebida em excesso foram relatados por ela no livro autobiográfico "Pentimento".

No rol das maluquices, vale a menção a Edmund Wilson, autor de "Rumo à estação Finlândia", que frequentava festas nas quais os convidados, por volta da meia-noite, "quebravam discos na cabeça uns dos outros". O custo da bebida era tão significativo no orçamento mensal dos Wilson que a decisão dos gastos era quantificada em garrafas. "Vamos mandar consertar o cortador de grama; são só dez garrafas de Johnnie Walker", argumentava a mulher para convencê-lo.

Ainda que não se furte a revelar acidentes e suicídios cometidos por consumo desmesurado, o livro procura fazer jus à sua epígrafe. "Aprendi com a experiência que as pessoas que não têm vícios, têm muito poucas virtudes", diz a frase do ex-presidente norte-americano Abraham Lincoln, que inicia o guia.(valor econômico)

É possível mudar


A cidade inglesa de Newcastle, situada no norte do país e conhecida por seu histórico industrial e pelos altos índices de poluição, foi eleita ontem a cidade mais “verde” da Inglaterra, empurrando a vencedora do ano passado, Bristol, para o segundo lugar. A lista é feita anualmente pelo “Fórum para o Futuro”, que classifica as 20 cidades mais sustentáveis da Inglaterra, com base em 13 fatores, incluindo reciclagem, poluição e como o governo local está se preparando para reagir à ameaça das mudanças climáticas.

O resultado deste ano tem valor especial, segundo Peter Madden, chefe-executivo do Fórum. Ele mostra que mesmo cidades bastante degradadas em relação ao meio ambiente e com patrimônio industrial forte são capazes de superar seu legado de industrialização. Durante décadas, Newcastle foi enegrecida pelo pó do carvão que alimentava suas fábricas. Depois de anos de reconstrução após seu declínio industrial, a antiga metrópole do norte foi elogiada por sua excelente qualidade do ar, baixos níveis de resíduos, baixas emissões de carbono e elevadas taxas de reciclagem. (oeco)

Um peixe de 2 metros a 1000 metros de profundidade

Um exemplar de espécie desconhecida, com quase dois metros e que vive a mil metros de profundidade, foi capturado durante pescaria para testes com anzol circular. Equipe comandada pelo oceanógrafo Guy Marcovaldi, coordenador nacional do Projeto amar, se deparou com o animal em setembro, quando navegava ao largo da Praia do Forte, na Bahia. O anzol circular é proposto pelos técnicos do projeto em substituição ao em forma de jota, o mais usado nas pescarias, para diminuir a incidência de captura de tartarugas marinhas.

Segundo especialistas, trata-se de um peixe chamado cabeça-de-geleia, da família dos ateleopodídios. A família tem quatro gêneros (Ateleopus, Parateleopus, Guntherus e Ijimaia) e 12 espécies conhecidas no Caribe, Atlântico e Pacifico. A informação é do professor da Universidade Federal da Bahia Claudio Sampaio e os ictiólogos Alfredo Carvalho Filho, pesquisador da Fish-Bizz Ltda, e Matheus Rotundo, da Universidade Santa Cecília.
Essa é a décima terceira espécie nova descrita pelo programa de divulgação do uso de anzóis circulares. Patrocinado pela Petrobras, o Tamar contabiliza a descoberta, nos últimos três anos, de dez espécies de peixes raras ou desconhecidas do Atlântico Sul. Os resultados serão apresentados em trabalhos científicos com publicação prevista para breve. Informações e vídeo: Projeto Tamar.


Peixe desconhecido, capturado em 1.000 metros de profundidade from Projeto Tamar on Vimeo.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Sting e Raoni se reencontram em São Paulo.

Foi um reencontro emocionado de dois velhos amigos. O cantor Sting, ex-líder da banda The Police e o líder dos índios kayapó Raoni, abraçaram-se em São Paulo e conversaram sobre a questão da construção hidrelétrica de Belo Monte (principal obra do Programa de Aceleração do Crescimento – PAC – do governo federal). O motivo continua sendo o mesmo que os uniu há vinte anos e continua em pauta já que a licença prévia para a usina deve ser concedida em janeiro de 2010. Depois, ambos receberam a imprensa para uma entrevista coletiva. À noite, cantaram juntos em show que o cantor fez na cidade.


Em 1989 como hoje, os povos indígenas da região não querem a hidrelétrica, que irá trazer inúmeros impactos a eles e aos ribeirinhos também. Em 1989 como hoje, as populações tradicionais têm a mesma queixa: não estão sendo ouvidas nem consultadas.

Decisão é do povo brasileiro

Durante a coletiva, Sting afirmou que a decisão de construir Belo Monte é do povo brasileiro e que ele, como estrangeiro, só poderia reforçar a importância de que todos os brasileiros precisam ser ouvidos. “Governo não conversou com índio”, disse o líder kayapó Megaron, sobrinho de Raoni, presente ao encontro. “Índio não sabe o que é audiência pública. Pensa que é ir lá para brigar”, afirmou. “Governo não sabe ouvir índio. Lula quer usar seu poder para fazer Belo Monte de qualquer jeito”.
O cacique Raoni, falando em língua kayapó, lembrou de quando foi condecorado por Lula. "Quando o presidente me deu medalhas eu perguntei se ele ia assinar a barragem. Ele disse que não ia assinar. Mas ele nunca nos juntou para discutir sobre a barragem. Por isso fico preocupado. Será que ele vai assinar"? E depois mandou um recado plea imprensa presente: "Não quero barragens no Rio Xingu. Espalhem isso".

Raoni também fez questão de dizer que os kayapó querem paz para seus filhos e netos. Afirmou que seu povo está crescendo, que vive da caça e da pesca, de peixe. “Quero comida para meu povo”, disse o cacique.


Belo Monte na ONU

Sting contou aos jornalistas que sua mulher Trudie - com quem fundou a Rainforest US em 1989, depois de ter participado do encontro de Altamira - havia falado na Assembléia Geral da ONU na semana passada contando a história de Raoni e o caso da hidrelétrica de Belo Monte.

"Há 20 anos eu tinha a intuição de que a floresta era importante para o planeta e há algum tempo a ciência comprovou isso”. Sting relembrou a viagem que fez com Raoni a muitos países do mundo divulgando a importância de demarcar os territórios indígenas e levando o protesto dos indígenas contra a construção de Belo Monte.

O primeiro projeto da Rainforest recém-criada foi apoiar o reconhecimento oficial da Terra Indígena Mekragnoti, Kayapó. Em 1991, a TI foi demarcada.

Na década de 1990, a Rainforest passou a apoiar projetos no Parque Indígena do Xingu, em parceria com o ISA. Entre eles, o monitoramento dos limites do Parque para prevenir invasões e o desenvolvimento de um sistema de educação bilíngue para 14 etnias que ali vivem, estimulando o desenvolvimento sustentável e apoiando a Associação Terra Indígena do Xingu (Atix). O Parque Indígena do Xingu é hoje uma ilha verde preservada no coração do Mato Grosso, pressionada de todos os lados pela expansão da fronteira agrícola.

Também no caso dos índios Panará, a Rainforest Foundation e o ISA desempenharam papel fundamental no retorno desse povo ao seu território ancestral, em 1996, 25 anos depois de um exílio forçado no Parque do Xingu para onde foram levados após quase terem sido totalmente dizimados pela construção da BR 163, rodovia que liga Cuiabá a Santarém, na década de 1970. Os Panará também obtiveram uma vitória histórica, em 2003, ao serem indenizados pelo governo brasileiro por decisão da Justiça. (Saiba mais).

Raoni convidou Sting para participar da inauguração da nova aldeia Kayapó, em abril do ano que vem. O cantor disse que tentaria ir e levaria sua mulher Trudie.

O Encontro de 1989

O ISA sempre acompanhou de perto os debates sobre Belo Monte. Já em 1988, por meio do Programa Povos Indígenas no Brasil, do Centro Ecumênico de Documentação e Informação (Cedi), uma das organizações que deu origem ao Instituto Socioambiental (ISA), denunciou os planos de construir hidrelétricas e outras obras de infraestrutura na Amazônia, sem consulta aos povos indígenas, e mobilizou a opinião pública contra essa arbitrariedade.

Para avançar na discussão sobre a construção de hidrelétricas, lideranças kaiapó reuniram-se na aldeia Gorotire em meados de 1988 e decidiram pedir explicações oficiais sobre o projeto hidrelétrico no Xingu, formulando um convite às autoridades brasileiras para participar de um encontro a ser realizado em Altamira (PA). A pedido do líder indígena Paulo Paiakan, o antropólogo Beto Ricardo e o cinegrafista Murilo Santos, do Cedi, participaram da reunião, assessorando os kaiapó na formalização, documentação e encaminhamento do convite às autoridades.

Na seqüência, uniram-se aos kaiapó na preparação do evento. O encontro finalmente aconteceu e o Cedi, com uma equipe de 20 integrantes, reforçou sua participação no encontro. Ao longo desses anos, o Cedi, e depois o ISA, acompanharam os passos do governo e da Eletronorte na questão de Belo Monte, e os impactos que provocaria sobre as populações indígenas, ribeirinhas e todo o ecossistema da região.

O I Encontro dos Povos Indígenas do Xingu acabou ganhando imprevista notoriedade, com a maciça presença da mídia nacional e estrangeira, de movimentos ambientalistas e sociais e do cantor Sting, na época líder da banda The Police, que é sucesso até hoje embora tenha se dissolvido. Cerca de três mil pessoas participaram do evento, entre elas 650 índios de diversas partes do país e de fora, lideranças como Raoni, Marcos Terena, Paulo Paiakan e Ailton Krenak; autoridades como o então diretor da Eletronorte, e hoje presidente da Eletrobrás, José Antônio Muniz Lopes, o então presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Fernando César Mesquita, deputados federais; 300 ambientalistas, e cerca de 150 jornalistas.

Foi nessa ocasião que a índia Tuíra, prima de Paiakan, levantou-se da platéia e encostou a lâmina de seu facão no rosto do diretor da estatal num gesto de advertência. A cena correu o mundo, reproduzida em jornais de diversos países e tornou-se histórica. O evento foi encerrado com o lançamento da Campanha Nacional em Defesa dos Povos e da Floresta Amazônica, exigindo a revisão dos projetos de desenvolvimento da região, a Declaração Indígena de Altamira e uma mensagem de saudação do cantor Milton Nascimento. O encontro de Altamira é considerado um marco do socioambientalismo no Brasil. (ISA)

O acelerador de partículas

Depois de mais de um ano paralisado, devido as falhas nas sua conexões elétricas, ocorridas no inicio de operação, que danificou alguns supercondutores, o Acelerador de Partículas do centro de pesquisas Nuclear de Genebra, voltou a operar nesta semana e se tudo ocorrer bem, breve novidades científicas teremos. Veja aqui, imagens do acelerador de partículas.

Tango. Fardado? não!


O tango surgiu nos subúrbios de Buenos Aires em meados do século 19. Na beira do rio Riachuelo, nos bares, nos cortiços do bairro sul, nos prostíbulos, estavam os soldados de folga, trabalhadores dos abates, cocheiros, artesãos, marinheiros e peões, em geral homens sozinhos em busca de companhia e diversão. Nestes salões, tocavam-se valsas, milongas, mazurcas, habaneras, polcas e esboços do futuro "tango criollo".

O tango que se dançava já em 1880, composto por Villoldo ou Mendizabal, entretanto, não era o mesmo "tango argentino" que se conhece hoje, de astros como Carlos Gardel ou Astor Piazzolla. A dança em si sofreu algumas mudanças com o passar do tempo, mas permaneceu a cadência entre os movimentos suaves e bruscos.

Os ricos e que se diziam cultos torciam o nariz para o que chamavam de "coisa do proletariado ou de prostitutas". A forma sensual da dança e o fato de ser muito mais espontânea chocava as elites da época. Principalmente na Europa, onde o tango chegou através de Paris em 1907.

Alemão levou bandoneon à Argentina

O jornal britânico Times escreveu em 1913 tratar-se de uma dança extremamente "desajeitada". Preocupados com a propagação entre a sociedade, as autoridades chegaram a tomar atitudes enérgicas: o Papa proibiu o tango e o imperador Guilherme 2º da Alemanha não queria que seus oficiais o dançassem de uniforme. Já uma regulamentação do Balé da Cidade de Viena proibiu que ele fosse incluído entre as danças executadas pelo seu corpo de baile.

Uma das grandes características do tango, se não a principal, é o instrumento em que tradicionalmente é tocado: o bandoneon, levado para a Argentina por Heinrich Brand, da cidade alemã de Krefeld.
Pouco a pouco, a dança foi conquistando espaço nos salões. Até a moda adaptou-se, pois as damas precisavam de liberdade de movimentos. Poiret, por exemplo, criou o "tango look", com vestidos de ombros de fora, acinturados, decotados, que elas usavam sobre calças justas até o tornozelo, ou então saias justas de "chiffon", com aberturas generosas. Nas cabeças, boinas em forma de turbante, com penas.

Até mesmo as madames da alta sociedade começavam a gozar de mais liberdade. Era a época das revoluções cultural e industrial na Europa, em que se buscava mais independência e mudanças no estilo.
Na década de 20, compositores famosos como Igor Stravinsky, Paul Hindemith e Ernst Krenek acrescentaram o tango às suas composições e assim abriram espaço para o gênero nas salas de concerto e nas óperas. (Dweller)

Banda larga será direito público na Espanha

Todos os cidadãos espanhóis, a partir de 2011, terão direito ao acesso a internet com velocidade mínima de um megabyte por segundo, de acordo com o governo do país.

A medida faz parte de uma série de reformas na legislação das telecomunicações da Espanha para tornar a banda larga um direito público, com preços acessíveis e fixados.
Responsável pelos atos, o governo do país decidiu que as conexões devem fazer parte de um pacote básico de benefícios, que inclui ainda uma linha fixa, o acesso para deficientes, o direito a telefonias públicas e cabines telefônicas.

A reforma legislativa valerá também para áreas rurais e pouco povoadas, segundo o jornal El País. Tais regiões, com pouco interesse comercial, terão acesso fornecido por empresas que ganharão subsídios do governo.

Na Espanha, diz a publicação, apenas 39 mil pessoas têm acesso a uma velocidade inferior a um megabyte por segundo, uma fração pequena se comparada com o total de 9,5 milhões de acessos em banda larga no país.

A ampliação do serviço é apresentada como uma forma de alavancar a indústria espanhola de conteúdos digitais. Em 2008, o setor faturou 5 bilhões de euros, o que representa um crescimento de 15,8% do ano anterior.

Com a mudança na legislação, os espanhóis seguirão o mesmo caminho da Finlândia. Esta semana, o país anunciou que planeja prover internet rápida (de um megabyte por segundo, no mínimo) para todas as casas e escritórios de seu território até julho de 2010.

Caribé (pintura brasileira V)

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Tecnologia para ricos ou pobres?

Revolução Industrial pesou no lombo do operariado. Marx e Dickens, com ânimos diferentes, descreveram a miséria opressiva de Londres. Mas, a longo prazo, os maiores ganhos foram para esse mesmo proletariado. Para Schumpeter, o desenvolvimento econômico não é mais meias de seda para os ricos – que sempre as tiveram à vontade – mas meias para os pobres. Nos países mais prósperos, um operário hoje tem um nível de conforto que um rico da época de Marx não tinha. Nas nossas paragens tupiniquins, os benefícios para os mais pobres, trazidos pelo crescimento do século XX, foram superiores aos de todos os quatro séculos anteriores. Apenas para ilustrar, a esperança de vida passou de 30 anos para mais de 70. Obviamente, falta muito, não são poucos os excluídos e não se trata de desculpar a horrenda distribuição de renda. Mas, é interessante registrar, os avanços tecnológicos têm sido muito generosos para com os mais pobres. Não que tenham sido pensados assim, mas é o que aconteceu..., continue lendo

SkyDrive seu HD nas nuvens

O SkyDrive é um recurso do Windows Live no qual você tem um drive virtual com 25 GB de espaço para guardar arquivos (no máximo de 50 MB cada um).

É totalmente gratuito e para usá-lo basta ter uma conta no MSN. Mas toda vez que você quiser copiar arquivos para o SkyDrive, é necessário carregar o navegador e logar na página para ter acesso ao serviço.

Para encurtar o caminho, que tal ter acesso ao serviço como se fosse uma unidade de disco do Windows? O programa SkyDrive Explorer ajuda a fazer isso. E é muito simples. Baixe o arquivo de 1,3 MB no site do desenvolvedor e execute o programa. O processo não leva nem 20 segundos e, aparentemente, não acontece nada.

Mas ao clicar em Meu Computador, você verá o ícone de nome SkyDrive, como na figura abaixo. Se você estiver logado no MSN, é só clicar no drive e começar a usar seus 25 GB extras. Caso não esteja, uma tela aparece para você digitar seu usuário de MSN.

40 anos dos automóveis no Brasil


* clique na imagem para ampliá-la

Volpi (pintura brasileira IV)

domingo, 22 de novembro de 2009

A geografia de uma recessão

Atualmente existem nos Estados Unidos mais de 31 milhões de desempregados. Neste link, poderá se acompanhar a evolução do desemprego na América um ano antes da crise financeira eclodir. Um interesante trabalho para se conhecer um pouco da realidade existente atualmente nos Estados Unidos.

Laguiole, o que há de melhor nas facas e nos abridores de garrafa

Um sommelier que se preze terá pins em sua roupa representando seu conhecimento, contudo, alguns dos grandes sommeliers terão no bolso um dos objetos que ele mais preza, um abridor de garrafas. Mas não um abridor qualquer, um abridor tão ou mais venerado que algumas das principais distinções que ele já recebeu na vida, um Laguiole. Quem conhece e sabe o que representa, já dirá mentalmente “Laiole”, que é como se pronuncia o nome da famosa marca de cutelaria francesa, talvez a mais renomada do mundo.

A vila de Laguiole (em português quer dizer “pequena igreja”) fica no distrito de Aveyron – no interior da França –, ao lado dos distritos de Cantal e Lozère. A junção destas três localidades recebe o nome de Cruzada dos Três Bispos. Foi neste antigo lugarejo sagrado, incrustado na vasta planície de l’Aubrac, que surgiu uma das marcas mais exclusivas do mundo.

A trajetória de sucesso pontuada sempre por estilo e tradição deste ícone de glamour e luxo remonta aos primeiros anos do século XIX. Em 1829, com Pierre-Jean Calmels, nasce o primeiro canivete Laguiole – inspirado em uma clássica faca Navaja, espanhola – esculpido artesanalmente. De 1829 até o final do século, a Laguiole produziria apenas facas e canivetes. Os primeiros abridores aparecem em 1880. A adição do novo produto, acompanhada pela manutenção do padrão de qualidade leva, a Laguiole a viver tempos áureos. Ao contrário dos outros produtores, que optam pela massificação, a Laguiole preserva-se de qualquer modernização, mantendo ao longo dos anos intacta a tradição de elaborar seus “utensílios“ apenas e tão somente a partir do toque e da sensibilidade de cada artesão. A recusa em mudar suas características se torna sua maior marca. A cada ano, seus artigos ganham mais “alma”.

E é essa alma que a tantos fascina. No mundo do vinho, em especial, a Laguiole conta com incomum prestígio. Alguns sommeliers chegam a recusar o uso de utensílios de outra marca. Sabendo disso, a Laguiole dedicou o melhor de sua produção a atendê-los. A série de abridores Château Laguiole Sommelier, lançada recentemente, nasceu para contemplá-los. Segundo palavras da própria companhia, tais artigos foram desenhados “em honra dos melhores Sommeliers do mundo”.

Abelha ou mosca?

Mais do que qualidade, bom gosto e exclusividade, guardar consigo um Laguiole é ter diante de si um passaporte para o passado. Cada peça da companhia francesa carrega em suas delicadas linhas o peso de séculos de vida e muitas estórias.

Segundo consta na mitologia em torno da Laguiole, seria uma abelha que simboliza a marca e isso se trataria de uma referência ao selo imperial Napoleão I oferecido à vila de Laguiole em sinal de reconhecimento pela bravura em combate dos homens da região. Porém, isso não é confirmado. Mas, na tradição dos produtores de facas, é comum ornamentar os objetos com a imagem saliente de uma mosca. Contudo, para Pierre Calmels, filho de Pierre-Jean, o símbolo nunca poderia ser uma mosca, pois um produto tão prestigiado deveria ter a marca de um inseto nobre, ou seja, uma abelha.

História e estilo se fundem no design desta marca francesa. A abelha napoleônica não é a única imagem visível nas facas. Uma face humana, um trevo de quatro folhas, uma concha Saint-Jacques – em referência ao caminho de Santo Jacques, que atravessa L’Aubrac –, uma abelha lisa, sem desenhos, são, também, exclusividades destes franceses.

Especialmente nas facas, os detalhes devem ser percebidos atentamente. Um instrumento que aos olhos do observador menos atento pode parecer belo e sofisticado em sua elaboração apenas ganha graça, charme e valor quando se entende o que é cada detalhe. Na faca de Laguiole, a lâmina é o símbolo da água; o cabo, da terra; e a mitra de latão, do fogo. As entalhaduras sobre as costas da lâmina representam os dias da semana.

Uma moeda em troca

Neste ambiente de histórias fartas, entram em cena, também, as superstições. Segundo um lendário costume europeu, não se deve oferecer qualquer objeto cortante a uma pessoa querida, sob “pena” de se romperem os laços de amizade e amor entre quem recebe e quem oferece. Para desfazer este “feitiço”, manda a tradição que a pessoa que recebe uma faca Laguiole como presente dê em troca uma moeda a quem lhe presenteou.

Todas as saliências, desenhos e marcas se entrelaçam em um quebra-cabeça de história, tradição e estilo de vida. Os artigos de cutelaria e as facas Laguiole não são nem nunca foram produzidos como meros utensílios práticos. Eles não pertencem à vida cotidiana. Esses instrumentos foram e são até hoje concebidos como uma celebração aos costumes daquele lugarejo em l’Aubrac, a um estilo de viver em que a qualidade e a excelência estão acima dos impulsos do mercado. Um estilo que às vezes parece morto, mas que renasce em cada uma das preciosidades produzidas pela Laguiole, uma marca chamada “igreja”, que tem em seus consumidores não clientes, mas, “fiéis”. (adega)

Flávio Venturini e Toninho Horta, nascente

Receitas de mariscos

Romero Brito (pintura brasileira III)

sábado, 21 de novembro de 2009

Negra Li - compaixão

Servindo uma tapioca a Lampião


Ela nasceu Maria Nevite Vital, em 20 de janeiro de 1925, na zona rural da cidade de Jardim, no Cariri cearense. Terceira dos treze filhos de José Antonio Vital e Maria Vidal, Nevite viveu no Sítio Corrente até se casar, em 1942, aos 17 anos de idade, com Luís Pereira Sobrinho, que carinhosamente a chamava de "princesa". O codinome persistiu pelos 54 anos que durou o casamento, mas a trajetória de luta, trabalho e sofrimento dessa cearense, que, como milhares de nordestinos, veio tentar a sorte na Região Sudeste, pouco se assemelha à vida das princesas na corte. Da infância ela lembra com saudade. A vida no sítio era confortável e pacata, e as imagens que povoam as lembranças de Nevite falam da quantidade de caju, cajá e ingá (fruta parecida com uma vagem) que havia na propriedade.

Foi no Sítio Corrente também que Nevite viveu uma grande emoção, quando aos 7 anos assistiu à visita do bando de cangaceiros liderado por Lampião a sua residência. O pai, zeloso pela família, apesar de surpreso com a chegada repentina, recebeu o bando muito bem e pediu para que a esposa preparasse um lanche. "Toda vida meu pai gostou de criar gado, para não faltar leite e queijo em casa. Naquela noite, mamãe montou uma mesa caprichada com coalhada, que era servida com rapadura, tapioca com queijo e café", lembra Nevite, hoje com 84 anos.

Depois do lanche e antes de ir embora, Lampião escolheu o melhor cavalo de José Vital e lhe pediu emprestado. "Meu pai deu o animal como perdido, mais dali a três dias o bicho voltou com arreio e tudo", conta. Foi alguns anos depois da inesperada visita que Nevite preparou sua primeira tapioca, aos 12 anos de idade, igualzinha à da mãe, perpetuando assim a receita. "Eu era a mais velha das mulheres e depois dos 10 passei a ajudar minha mãe na cozinha", diz. Em 1944, o pai de Nevite comprou terras em Andradina, SP, e em Nova Andradina, MS. Quatro anos depois, ela, o marido e os quatro filhos pisaram em solo paulista após uma viagem de caminhão, navio e trem que durou 24 dias. "Fomos para Juazeiro (Bahia), onde tomamos o navio a vapor para Pirapora, MG. Pegamos um trem para São Paulo, outro para Bauru e outro para Andradina", lembra.

A terra natal ficou para trás, mas os costumes não. Além da rede, onde Luís Pereira descansava após um banho vespertino, balançando ao som dos passarinhos que mantinha na garagem de casa, a receita da tapioca se perpetuou na família, sendo ensinada às filhas e às netas. Em Andradina, Nevite morou por poucos dias no Sítio Figueira, de 45 alqueires, de seu pai. "Fomos para a cidade, pois meu marido queria trabalhar no comércio." A vinda para São Paulo aconteceu porque Luís queria formar os filhos. Falecido em 1995, ele montou e manteve o armazém Casa Vital, de secos e molhados, de 1949 a 1988, período em que o casal conseguiu diplomar os seis filhos, Persival, Ivonete, Izonita, Ivonizia, Lucia e Paulo. Com a morte de Luís, a "princesa" voltou a ser novamente Maria Nevite. Mas, com a chegada dos bisnetos - que já somam 12 -, virou "bivó", como é hoje carinhosamente chamada por todos da família. Da longa trajetória, restam sua parte da herança da Figueira, de 18 alqueires, a saudade da terra natal e a tradição de reunir a família com a tapioca.

TAPIOCA DA BIVÓ À MODA NORDESTINA


Ingredientes

• 1 pacote (500 g) de polvilho doce
• 1 xícara e meia (250 ml) de água
• 1 peça de queijo fresco
• manteiga a gosto

Como fazer

Despeje o polvilho numa travessa funda. Molhe-o com água, distribuindo uniformemente pequenas porções na travessa. O polvilho ficará duro (compacto). Em seguida, peneire essa mistura (a peneira indicada é a de aço galvanizado, também usada na construção civil) numa outra tigela. Distribua uma camada desse polvilho na frigideira e deixe dourar (não é necessário adicionar óleo nem manteiga). Quando a massa virar uma goma e estiver ligeiramente queimada, vire-a de lado. Distribua fatias de queijo fresco a gosto e deixe no fogo até derreter. Passe manteiga, dobre a tapioca ao meio, corte em fatias e sirva. (globorural)

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