
Os dirigentes da maioria das empresas vencedoras são absolutamente apaixonados pelo que fazem — vibram a cada vitória de sua empresa e de seus subordinados. Apesar de trabalharem em média 12 horas por dia, sentemse felizes e realizados. A paixão começa por uma enorme identidade com o negócio, passa por uma simbiose de valores comuns e termina com uma clara adequação de projetos e expectativas entre a empresa e o executivo.
Quando o profissional não tem maturidade para dizer que ama seu trabalho, ele passa sempre a imagem de estar desmotivado e seu desempenho desce ladeira abaixo. Pior ainda, ele passa um exemplo terrível para as gerações futuras. O pai ou a mãe que justifi ca sua ausência por “ter fi cado preso no trabalho” transmite aos filhos a ideia do trabalho como sendo apenas sacrifício e deixa as crianças confusas — se é tão ruim por que ele, ou ela, fica lá tanto tempo? Pensa a criança: “Provavelmente ele — ou ela — fica preso mesmo, atado à cadeira contra sua vontade”. Gostaria de ver o que essa criança vai responder quando o adulto perguntar: “O que você vai ser quando crescer?”.
Não podemos esquecer, no entanto, que podem existir enormes desilusões, como em toda relação de paixão. Basta a empresa violentar os valores, sucumbir à tentação de abrir mão de princípios e a paixão por ela nutrida se esvai. Paixão tem de ter reciprocidade e para ser mantida requer cuidados diários e uma enorme zeladoria na tal simbiose de valores. E, às vezes, tem também que discutir a relação - Luiz Carlos Cabreira ( revista você S/A ).