No dia 24 de junho de 1940 Hitler visitou Paris conquistada e deserta. Filmado pela propaganda alemã ele entrou na Madeleine, deu uma volta em torno de Ópera, atravessou a Place de la Concorde, passou pelo Arco do Triunfo e parou no Trocadero. Do terraço ele contemplou a Torre Eiffel e tirou uma foto que foi difundida mundo afora.
Mas a torre resistiu à ocupação alemã. Durante toda a guerra os elevadores, conscienciosamente sabotados, não funcionaram. Só voltaram as atividades normais no final das hostilidades quando a bandeira francesa foi hasteada no alto da Torre.
Símbolo maior de Paris que se transformou no símbolo da França inteira, omnipresente na paisagem parisiense pois vista de todas os pontos da capital, aquela que o grande arquiteto Le Corbusier dizia “signe de Paris aimé, signe aimé de Paris”, a Torre Eiffel foi repudiada pelos parisienses da sua construção até os meados do século XX. Considerada como um objeto estranho que esmagava os outros monumentos pela sua altura e corpulência metálica, ela só escapou da destruição porque defendida pelos militares e cientistas que avançavam argumentos úteis. Ela serviu às primeiras experiências do telégrafo sem fio, foi posto de observação militar durante a 1° Guerra Mundial, captava as mensagens e vigiava os aviões durante manobras militares, resistiu à Hitler e participou das festas da libertação de Paris da ocupação alemã se transformando temporariamente em bordel militar para os soldados americanos.
Em 1964 ela foi definitivamente inscrita no Inventário dos Monumentos Históricos e ganhou para sempre os corações dos francesas quando a Torre Montparnasse foi construída. Todos passaram a acha-la sempre moderna, cheia de graça e leve, enquanto a outra foi considerada imediatamente caduca. veja mais imagens aqui.
CITAÇÃO : "Imaginar é mais importante do que saber. O conhecimento é limitado. A imaginação abarca o universo." Albert Einstein
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Montparnasse é uma festa
No início do século 20, Paris era socialmente dividida pelo rio Sena. Do lado direito ficava a área nobre, que incluía Montmatre, o bairro dos artistas consagrados como os pintores Paul Cézanne e Claude Monet. Já do lado esquerdo, em Montparnasse, conviviam matadouros, bordéis e pontos de venda de éter e cocaína. Foi ali que uma geração inteira de artistas pobres de vários lugares do mundo escolheu para viver. Cercados por prostitutas e carneiros, eles puderam criar com liberdade muito maior que em seus países natais.O bairro em transformação fornecia pequenos ateliês e quartos claustrofóbicos, mas muito baratos, e cafés e livrarias que se tornaram pontos de encontro. Entre os artistas cuja história está ligada a Montparnasse estão os escritores Ernest Hemingway, Scott Fitzgerald e James Joyce, os pintores Modigliani e Picasso e os poetas Jean Cocteau e Guillaume Apollinaire. Dos anos 20 aos 40, eles fizeram do bairro o epicentro de um terremoto cultural - e assim ele permaneceria, após a Segunda Guerra, graças a uma nova geração, formada por nomes como o escritor André Gide e a filósofa Simone de Beauvoir.
Endereços acolhedores
Bordel Martoune
Boulevard Edgar-Quinet, 31
Um dos bordéis de luxo mais exclusivos de Paris ficava nos arredores do cemitério do bairro e funcionava em um prédio de quatro andares. As funcionárias não precisavam se prostituir, desde que incentivassem o consumo de bebidas. Seu frequentador mais notório era o escritor Henry Miller. Hoje um parque fica no local.
Café Le Dome
Boulevard Montparnasse, 108
Fundado por Paul Chambon em 1897, existe até hoje. No melhor estilo dos cafés parisienses, tem mesas na calçada e um salão escuro dentro. Lugar intimista, era muito procurado pelo pintor búlgaro Jules Pascin e pelos escritores Scott Fitzgerald e Ernest Hemingway - na época, o primeiro, já famoso, dava conselhos ao segundo.
Café La Rotonde
Boulevard Montparnasse, 105
Aberto em 1911 por Victor Lebion em frente ao Le Dome, era agitado e barulhento. Ali, personalidades passavam os dias entre a leitura de livros e discussões acaloradas sobre os acontecimentos do noticiário. Entre os clientes assíduos, Modigliani, Picasso, Van Dongen, James Joyce, Man Ray, Henry Miller e a dançarina e musa Kiki de Montparnasse (esq.).
Ateliê de Gertrude Stein
Rue de Fleurs, 27
Instalado no pátio de uma confortável casa de dois andares, era ponto de encontro de Matisse, Ezra Pound e Hemingway, que participavam de sessões de leitura regadas por muito vinho. Em suas paredes ficavam as obras adquiridas pelo irmão de Gertrude, Leo Stein - eram trabalhos de Gauguin, Renoir e Manet, além do retrato da escritora, pintado pelo amigo Pablo Picasso.
La Maison des Amis de Libres
Rue de l’Odéon, 7
Dedicada à literatura e aos escritores em língua francesa, foi criada por Adrienne Monnier, outra jovem incentivadora das letras. Além de comercializar as obras, Adrienne criou um sistema de empréstimos de livros. Entre os fiéis frequentadores estavam os poetas André Gide, Guillaume Apollinaire, Paul Valéry, Blaise Cendrars e Jean Cocteau.
Livraria Shakespeare and Company
Rue de l’Odéon, 12
Fundada em 1919 pela americana Sylvia Beach, a livraria especializada em literatura anglo-saxônica era passagem obrigatória para os muitos autores de língua inglesa que viviam em Paris na época, como Ezra Pound, Scott Fitzgerald e James Joyce. Sylvia foi a grande responsável pelo lançamento, em 1922, de Ulisses, de Joyce, hoje considerado uma obra-prima da literatura mundial. (história)
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Meoto-Iwa, Japão
Ligados por uma grossa corda trançada, de palha de arroz, os Meoto-Iwa - os Rochedos Casados - despontam do Oceano Pacífico, na costa sudeste do Japão. Qual é a sua história?
Os seguidores do Xintoísmo veneram o casal de pedra, na baía de Ise, como um santuário. Segundo a antiga tradição nipônica, o monumento representa o homem, a mulher e sua ligação divina. Três vezes por ano - em maio, setembro e dezembro -, a chamada corda Shimenawa (que pesa mais de uma tonelada) é substituída em uma cerimônia sagrada. Diz a lenda: o vínculo entre casais que, em uma manhã de verão, virem o Sol nascer duas vezes mais alto entre a mulher de pedra marinha e seu marido, será eterno.
Os seguidores do Xintoísmo veneram o casal de pedra, na baía de Ise, como um santuário. Segundo a antiga tradição nipônica, o monumento representa o homem, a mulher e sua ligação divina. Três vezes por ano - em maio, setembro e dezembro -, a chamada corda Shimenawa (que pesa mais de uma tonelada) é substituída em uma cerimônia sagrada. Diz a lenda: o vínculo entre casais que, em uma manhã de verão, virem o Sol nascer duas vezes mais alto entre a mulher de pedra marinha e seu marido, será eterno.
Agora está mais fácil criar uma reserva particular
Está mais fácil criar uma reserva federal. O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) está utilizando sistema informatizado que permite o interessado em transformar uma propriedade em Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) preencher o requerimento inicial on-line. Acesse aqui o sistema, em funcionamento desde novembro.No Brasil há 532 RPPNs. Pernambuco é um dos Estados com menos reservas particulares do País: 11. Circundada por mangue e restinga, a de Nossa Senhora do Outeiro (foto), em Maracaípe, é uma delas.
Para ser transformada numa RPPN, a área deve ser significativa para a proteção da diversidade biológica, possuir paisagens de grande beleza ou reunir condições que justifiquem ações de recuperação ambiental capazes de promover a conservação de ecossistemas frágeis ou ameaçados. Pessoas físicas, empresas de todos os portes, assim como entidades civis e religiosas podem requerer a criação de uma RPPN.
Entre os benefícios assegurados com a criação da RPPN estão o direito de propriedade preservado, isenção do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) referente à área de RPPN e prioridade na análise dos projetos pelo Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA). O município que abriga uma reserva particular, em Pernambuco, também é beneficiado, aumentando sua cota no ICMS Verde. (blog ciência e meio ambiente)
domingo, 13 de dezembro de 2009
Google irá mostrar o desmatamento na amazônia
Breve, qualquer um com um computador e uma conexão de internet vai poder monitorar o desmatamento da Amazônia. Rebecca Vonada , responsável pelo uso social do Google Earth, acabou de apresentar na COP15 um protótipo de ferramenta potencialmente revolucionária. Funcionará como uma camada do programa Google Earth. Com alguns toques, qualquer pessoa terá acesso às imagens e aos números de desmatamento em qualquer pedaço da Amazônia (foto ao lado). Os dados serão permanentemente atualizados. É uma parceria do Google com o Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), que faz há alguns anos um monitoramento paralelo do desmatamento, usando os dados dos mesmos satélites que fazem os dados oficiais do Ministério do Meio Ambiente. “Nosso objetivo é contribuir para a democratização da informação dessa região”, diz Rebecca.
Mediterrâneo foi inundado pelo oceano atlântico há 5 milhões de anos
Há 5,33 milhões de anos, o Mar Mediterrâneo se encheu em menos de dois anos com as águas do Oceano Atlântico que atravessaram o estreito de Gibraltar com um volume mais de mil vezes superior ao caudal do Amazonas, segundo estudo publicado na última edição da revista Nature.Antes, durante uma crise que se estendeu entre 50.000 e 400.000 anos, o Mediterrâneo ficou isolado do oceano e o estreito de Gibraltar se viu transformado em istmo. As águas marinhas se evaporaram em sua maior parte e deixaram um lago muito salinizado, cuja superfície era de entre 1.500 metros e 2.700 metros abaixo do nível atual dos mares.
A cheia do Mediterrâneo aconteceu de forma abrupta, após o desaparecimento do istmo que unia a África e a Europa, segundo Daniel García-Castellanos, membro do grupo de pesquisa do Instituto de Ciências da Terra Jaume Almera, de Barcelona.
"Quase 90% do total da água passou do Atlântico para o Mediterrâneo num lapso de tempo compreendido entre vários meses e dois anos", segundo os pesquisadores catalães. "Essa cheia repentina implicou elevações do nível do Mar Mediterrâneo de mais de dez metros diários", calcularam especialistas.
Estudos anteriores baseados na profundidade do estreito naquela época calcularam que a cheia do Mediterrâneo durou entre dez anos e vários milênios. Os trabalhos publicados agora pela Nature utilizaram técnicas de estudo dos trechos dos sedimentos para chegar às suas conclusões.
A cheia rápida coincide com as indicações sobre a biodiversidade contidas nos sedimentos, que mostram uma mudança entre o episódio da crise do excesso de sal, marcada por uma grande pobreza da fauna marinha, e o imediatamente posterior, caracterizado por um grande número de espécies.
Segundo a explicação dos cientistas, durante a cheia do Mediterrâneo, "o principal canal começava a algumas dezenas de quilômetros dentro do Atlântico e prosseguia, perdendo gradualmente sua altitude, até o centro do Mar de Alboran (parte ocidental do Mediterrâneo, entre a Espanha e Marrocos)". "A velocidade do leito ultrapassou os 300km/h", afirmou García-Castellanos. Da Agência France Press.
sábado, 12 de dezembro de 2009
Portugueses do sol nascente
No auge de seu império, Portugal teve colônias na costa da África, em ilhas do Atlântico, no Oriente Médio, na Índia, na China, no Sudeste Asiático e no Brasil. Mas um outro país também foi ocupado: o Japão. Ainda que essa história seja pouco conhecida, a presença portuguesa na terra do sol nascente deixou marcas permanentes na cultura local.Segundo o tratado Teppo-ki ("Crônica da espingarda"), de 1606, os lusos chegaram ao Japão em 1543. Não por acaso, esse registro está contido em uma obra histórica sobre a introdução da arma de fogo no país. A colonização europeia foi apoiada em armamentos, no comércio e na divulgação do cristianismo.
A princípio, cada navio ocidental chegava carregado com pólvora, seda e porcelana, trazidos da China, e especiarias da Índia. Rapidamente, o objetivo comercial somou-se à intenção de propagar a fé cristã. "O binômio missionário-comerciante é constante na história da presença portuguesa no Japão", afirma Madalena Ribeiro, pesquisadora da Universidade Nova de Lisboa.
Em 1582, já havia 150 mil cristãos no Japão e 200 igrejas, além de 20 padres. No auge, o número chegou a 200 mil, distribuídos principalmente no sul do país, em Kagoshima e Nagasaki. Mas a intromissão estrangeira em um país em fase de unificação incomodou as autoridades locais. A partir de 1587, os cristãos começaram a ser reprimidos. Os que não recuaram se tornaram kakure kirishitan, ou "cristãos ocultos". Com o tempo, a falta de contato com sacerdotes católicos fez com que alguns rituais fossem adaptados. Nas missas, a hóstia e o vinho passaram a ser substituídos por sashimi, arroz e saquê. Em 1859, quando chegaram ao Japão, missionários franceses descobriram que cerca de 60 mil japoneses praticavam o cristianismo na clandestinidade. As comunidades kirishitan existem até hoje. Muitas ainda têm orações como pai-nosso e ave-maria, recitadas (sem serem compreendidas) em uma mistura de japonês, latim e português do século 16.
Além da religião, a influência portuguesa marcou a medicina, as ciências náuticas e a astronomia. Os arquitetos japoneses aprenderam técnicas para fortificação de castelos. Outros campos do pensamento ocidental também influenciaram os orientais. "A chegada dos portugueses permitiu uma alteração na maneira de pensar dos japoneses, por influência de ideias como o racionalismo e o liberalismo", diz Ikunori Sumida, diretor do Departamento de Estudos Luso-Brasileiros da Universidade de Estudos Estrangeiros de Kioto. "Foi uma mudança invisível, ao contrário da introdução das espingardas e da religião."Fé de berço
A maior parte dos japoneses que se mudaram para o Brasil a partir do fim do século 19 conheceu o catolicismo no nosso país. Mas uma pequena parcela descendia dos cristãos escondidos, os kakure kirishitan. "Esse grupo foi importantíssimo para a conversão dos japoneses e nikkei brasileiros ao cristianismo. Eles ofereceram um tipo de catolicismo com o qual os japoneses puderam se identificar", diz Rafael Shoji, do Instituto para Religião e Cultura da Universidade Nanzan, em Nagoia, Japão.
Entre os cristãos que chegavam por aqui estava um missionário católico, o monsenhor Domingos Nakamura. Nascido no arquipélago de Goto, ele conhecia as famílias que atendia, no Paraná e em São Paulo, por causa de seu trabalho anterior, na paróquia de Kagoshima. Madalena Hashimoto Cordaro, 51, professora de Literatura Japonesa na USP, também descende de "cristãos ocultos". "Meu pai contava histórias sobre perseguições ocorridas no passado e crucificações na praia."
Glossário luso-nipônico
Palavras japonesas de origem portuguesa
Padre - bateren
Bênção - bensan
Vidro - bïdoro
Botão - botan
Jesus - Esu
Carta de jogar - karuta
Pão - pan
Tabaco - tabako
Sustentabilidade
Parece um terminal de aeroporto. Mas é um galinheiro. O projeto da empresa israelense Agrotop prevê cataventos solares no teto, energia solar, reciclagem da água e até travesseiro para as aves. As fezes das galinhas serão usadas para gerar combustível. O projeto deve atender as futuras exigências da União Européia validas a partir de 2012.
O galinheiro vai gerar energia suficiente para seu próprio consumo e ainda produzirá um excedente para ser vendido na rede elétrica do país.
De acordo com as exigências européias, o galinheiro oferecerá o dobro de espaço para cada galinha nas gaiolas. O suficiente para que se movimentem livremente, tenham ar fresco e iluminação natural. Até espaço para bater as asas. As gaiolas terão grama natural ou artificial, ou capim, para simular o ambiente natural do terreiro. E cada gaiola terá um material macio, uma espécie de travesseiro, para as galinhas descansarem. (época)
O galinheiro vai gerar energia suficiente para seu próprio consumo e ainda produzirá um excedente para ser vendido na rede elétrica do país.
De acordo com as exigências européias, o galinheiro oferecerá o dobro de espaço para cada galinha nas gaiolas. O suficiente para que se movimentem livremente, tenham ar fresco e iluminação natural. Até espaço para bater as asas. As gaiolas terão grama natural ou artificial, ou capim, para simular o ambiente natural do terreiro. E cada gaiola terá um material macio, uma espécie de travesseiro, para as galinhas descansarem. (época)
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