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| Igreja da cidade de Taggia |
Quem viaja do sul da França à Itália, saindo de Nice e atravessando a
belíssima e luxuosa Côte d'Azur, passando pelo Principado de Mônaco, vê
montanhas percorrendo por um lado e o mar pelo outro, na porção mais ao norte do
mar Mediterrâneo. Este é o impressionante cenário que se avista e, mais
importante, que acolhe, com carinho, o fruto da oliveira ao chegarmos à Ligúria,
na Itália.
Aí, a azeitona se beneficia do clima Mediterrâneo, estando protegida pelas
montanhas. A Ligúria torna-se um verdadeiro éden para as oliveiras, assim como
para nossos olhos. Localizada no noroeste italiano, essa região fronteiriça com
a França possui Gênova como capital, um dos mais importantes portos do
Mediterrâneo, principalmente durante o período das grandes navegações, já que é
a terra de Cristóvão Colombo. Em meio a alguns paraísos como Portofino e Cinque
Terre, outras importantes províncias, além de Gênova, são as de Impéria, La
Spezia e Savona.
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| O paraíso de Portofino |
A origem histórica da olivicultura na terra de Colombo continua ainda um
tanto incerta, porém a teoria mais provável é a de que as olivas tenham tido seu
cultivo organizado quando foram introduzidas pelos monges beneditinos da Abadia
de Taggia, durante a Idade Média. No entanto, há indícios da presença de
oliveiras desde 3000 a.C.
No entanto, foi a partir do século XVI que a região
iniciou um grande processo de desenvolvimento, o que fez com que, já no século
seguinte, o comércio do óleo de oliva se tornasse uma de suas principais
atividades econômicas. Naquele século, muitos dos vinhedos e culturas de cereais
da região foram substituídos por olivais, transformando assim sua paisagem
agrícola.
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| Casa de Colombo, filho mais ilustre da Ligúria |
Taggiasca
O cultivar mais
difundido na região é a Taggiasca, tendo seu nome derivado de Taggia, uma vez
que foram os mesmos monges beneditinos que iniciaram seu cultivo, por volta do
século XII. São olivas pequenas e que geralmente não são colhidas até alcançarem
o completo estado de maturação, normalmente no mês de dezembro. Seu paladar pode
ser considerado como uma antítese ao estilo Toscano, mais amargo e picante.
Outros cultivares encontrados na região são as autóctones Lizona, Morino,
Olivana e Razzola, típicas da província de Savona, e Colombaia e Pignola,
encontradas na província de Impéria.
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| Maquetes de moinhos são algumas atrações do Museo dell'Olivo |
Riviera Ligure DOP
Por se
tratar de uma região relativamente pequena, Riviera Ligure é sua única
Denominação de Origem Protegida (DOP), percorrendo quase toda a Ligúria. Ela
passa pelas províncias de Impéria, Gênova, Savona e La Spezia. A denominação é,
portanto, subdividida em três:
Impéria é a Riviera de Fiori, onde o óleo deve
ser produzido por, no mínimo, 90% do cultivar Taggiasca, de onde vem o melhor
óleo da região. Savona é representada pela Riviera del Ponte Savonese, cujo óleo
é produzido por, no mínimo, 60% de Taggiasca. O azeite que mais caracteriza
essas duas províncias é conhecido como Biancardo, obtido da colheita tardia de
azeitonas bem maduras - o que o torna frutado e bastante fluido, características
muito presentes nos azeites lígures. As províncias de Gênova e La Spezia fazem
parte da zona intitulada Riviera del Levante, cujo óleo deve ser produzido com
65% de Taggiasca (aqui conhecida como Lavagnina) e com as autóctones Razzola e
Pignola.
Além de suas respectivas porcentagens exigidas, os azeites desta DOP devem
seguir algumas outras exigências como: os cultivares destinados à sua produção
devem ser colhidos até o dia 30 de janeiro; sua lavagem deve ser feita em
temperatura ambiente, sendo também o único processo permitido antes do processo
de oleificação - que deve ser efetuado durante as 36 horas seguintes à chegada
ao lagar -; e, por fim, sua cor deve estar entre o amarelo e o verde claro. Os
azeites lígures harmonizam-se muito bem com massas doces e, obviamente, com o
molho mais famoso da região, o pesto.
Museo dell'Olivo
Museo
dell'Olivo Caso um dia você vá passar pela região, não deixe de visitar o Museo
dell'Olivo, na cidade de Impéria, um dos mais importantes, senão o mais, de óleo
de oliva de todo o mundo. O museu nos mostra todos os processos, histórias e
curiosidades que temos discutido ao longo destas edições de ADEGA. Possui
inscrições que datam 2000 a.C. de transações de óleo de oliva feitas na
Babilônia; a expansão do óleo desde o Oriente Médio até chegar no Mediterrâneo;
as utilizações sacramentais; ânforas, jarras de cerâmica, diferentes prensas,
entre outras curiosidades que encantam os verdadeiros apreciadores do óleo de
oliva (
da revista Adega ).