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segunda-feira, 21 de março de 2011

75% dos recifes de coral no mundo estão ameaçados de extinção


Uma análise global, realizada por mais de 25 organizações ambientais e centenas de cientistas, revelou que 75% dos recifes de coral do mundo estão ameaçados de extinção.

O relatório Reefs at Risk Revisited é uma avaliação mais detalhada das ameaças aos recifes de coral já realizada no mundo e está sendo lançado pelo World Resources Institute (WRI), juntamente com a ONG The Nature Conservancy (TNC), o Centro WorldFish, a International Coral Reef Action Network, Global Coral Reef Monitoring Network (GCRMN) e o Centro Mundial de Monitoramento da Conservação, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). 

Pela primeira vez, a análise inclui as ameaças das mudanças climáticas, como o aquecimento dos mares e o aumento da acidez dos oceanos. O relatório mostra que as pressões locais, tais como a sobrepesca, o desenvolvimento costeiro e a poluição, são os riscos mais imediatos e diretos, ameaçando mais de 60% dos recifes de coral. 

A pesca excessiva e, principalmente, a destrutiva, são responsáveis por graves impactos na maioria dos recifes. Segundo o relatório, as áreas prejudicadas vêm aumentando 30% desde 1998. As pressões globais, como temperatura do mar e acidificação dos oceanos (provocada pelo crescente aumento de dióxido de carbono) também estão crescendo, causando o branqueamento dos corais. 

De acordo com os pesquisadores, se nada for feito, o percentual de recifes ameaçados subirá para mais de 90% em 2030 e para quase todos os recifes em 2050. “Os recifes de coral mantêm estáveis nossos suprimentos alimentares e produzem compostos para encontrar soluções em medicamentos para o câncer, doenças cardíacas e HIV. Quando garantimos a preservação dos recifes, garantimos também o futuro dos humanos”, explica Mark Spalding, cientista marinho da TNC e principal autor do relatório. 

Mas ainda há esperanças. Spalding também explica que existem inúmeros lugares ao redor do planeta que valorizam seus recifes e podem servir de exemplo para outras comunidades, transformando-se em práticas globais. O relatório também mostra que mais de um quarto dos recifes já está em uma ampla variedade de parques e reservas, mas apenas 6% estão em áreas protegidas e são geridos de forma eficaz. 

“A comunidade de conservação de recifes de coral tem feito grandes progressos, mas claramente temos mais trabalho e pouco tempo para fazê-lo. Precisamos reduzir os impactos que as pessoas estão causando nos recifes de hoje. Resolver esse problema vai exigir uma ação rápida”, concluiu Stephanie Wear, diretora de conservação de recifes de coral da TNC (do globo rural ).

O relatório identifica as 27 nações do mundo que são mais vulneráveis à degradação dos recifes de coral e perdas, entre elas o Brasil. Os nove países mais vulneráveis são: Haiti, Granada, Filipinas, Ilhas Comores, Vanuatu, Tanzânia, Kiribati, Ilhas Fiji e Indonésia.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Uma bicicleta feita de bamboo

Uma ideia simples, de baixo custo e adaptada para qualquer lugar onde haja uma plantação de bamboo. Fruto de uma parceria da Universidade de Columbia e de alguns ganenses, nasceu o Bamboo Bike Project que em novembro do ano passado foi premiado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio     Ambiente (PNUMA)  como uma das 30 ideias capazes de promover o desenvolvimento sustentável no mundo.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Os impactos das mudanças climáticas

O Quarto Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), divulgado em fevereiro de 2007, chamou a atenção dos meios de comunicação e alertou o público em geral de forma inédita sobre um dos mais preocupantes problemas na atualidade.

Mas, de acordo com uma nova análise, as estimativas do relatório podem ter sido modestas. O motivo é que tanto o ritmo como a escala das mudanças climáticas globais já teriam superado o que havia sido previsto há dois anos.

Os impactos estariam chegando mais rapidamente, segundo diversos indicadores, como a perda de gelo nas montanhas e no Ártico ou a acidificação dos oceanos. A conclusão é do relatório Climate Change Science Compendium 2009 (em inglês), divulgado no dia 24 pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).

Produzido por cientistas de diversos países, o relatório destaca a extrema importância de que a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP15), que será realizada em Copenhague, na Dinamarca, de 7 a 18 de dezembro, chegue a um novo acordo global para o clima para vigorar com o fim do Protocolo de Kyoto, em 2012.


“A COP15 tem importância fundamental para a sobrevivência do planeta, pois só com um esforço coletivo do qual participem todos os países, desenvolvidos, emergentes e em desenvolvimento, será possível estabelecer metas elevadas de redução da emissão de gases de efeito estufa e, efetivamente, atingir essas metas dentro de 20 anos”, disse Carlos Alfredo Joly, professor titular do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas e coordenador do Programa Biota-FAPESP.

O relatório do Pnuma destaca alterações por todo o planeta. Na Europa, além da aceleração do derretimento do gelo nos Alpes e Pirineus, há o aumento da aridez no solo que se espalha do Mediterrâneo para o norte e o deslocamento de espécies vegetais para altitudes mais elevadas.

Água mais ácida que pode corroer uma substância chamada aragonita, fundamental para o crescimento de corais e das conchas de moluscos, chegou à costa da Califórnia, décadas antes do que modelos haviam previsto.

O derretimento de glaciares e mantos de gelo nas regiões polares está mais rápido. No manto da Groenlândia, por exemplo, o derretimento observado recentemente foi 60% superior ao recorde anterior, em 1998.

O relatório destaca que novos estudos apontam que a elevação dos níveis do mar pode ser maior do que se estimava anteriormente. Os aumentos podem chegar a 2 metros até 2100 e de cinco a dezes vezes mais nos séculos seguintes.

“O Climate Change Science Compendium 2009 é um alerta: o tempo de hesitar acabou”, alertou Ban Ki-moon, secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU). “Precisamos que o mundo inteiro realize, de uma vez por todas, que a hora de agir é agora e que devemos trabalhar juntos para enfrentar esse desafio monumental. Esse é o desafio moral de nossa geração”.


O compêndio do Pnuma reúne e revisa dados obtidos por cerca de 400 estudos feitos nos últimos três anos. O objetivo, segundo os responsáveis pelo programa, não é substituir os documentos do IPCC – que prepara o quinto relatório de avaliação –, mas atualizar o mais recente deles.

“O conhecimento científico sobre as mudanças e previsões climáticas tem avançado muito rapidamente desde o relatório do IPCC de 2007”, disse Achim Steiner, subsecretário da ONU e diretor executivo do Pnuma.

“O Brasil é o único país que, em função de sua matriz energética, pode reduzir substancialmente a emissão de gases de efeito estufa sem que isso afete o seu desenvolvimento. Pelo contrário, para o Brasil, reduzir a taxa de emissão de gases de efeito estufa é sinônimo de um novo modelo de desenvolvimento, que tem como um dos sustentáculos uma economia de baixo carbono, baseada nos serviços ambientais da floresta e nos recursos gerados pelo uso sustentável da biodiversidade”, disse Joly à Agência FAPESP

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