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quinta-feira, 15 de abril de 2010

Extra virgem africana

Espanha, Itália e Grécia são os três principais produtores do óleo de oliva do mundo, todos localizados às margens do mar Mediterrâneo. Não podemos nos esquecer de Portugal, que também apresenta características deste famoso mar. Mas isso tudo já não vimos? E por que falar novamente do mar Mediterrâneo?

Simplesmente, porque a "dádiva do Mediterrâneo" não se restringe somente a esses países. Existe também seu outro lado, que ainda não conhecemos e que, por muitos, é chamado de "o lado pobre": o norte da África, que também pode ser capaz de nos trazer muitas surpresas.

Os países do norte da África possuem tradição no cultivo da oliva, produzindo grande quantidade de óleo. Com algumas exceções, tratam-se de nações com economia pouco desenvolvida, consideradas "parentes pobres" do Mediterrâneo europeu, e não que conseguem alcançar a alta qualidade que se procura hoje em dia no mercado.

No entanto, seu potencial é grande. Com possíveis melhoras no cultivo, colheita e nos processos de extração do óleo, eles podem igualar os países mais desenvolvidos, porque, como bem sabemos, as características que possuem por serem banhados pelo Mediterrâneo já os deixam localizados em um excelente terroir.

Visitar os olivais do norte da África é como voltar no tempo. Lá os produtores estocam as azeitonas por algumas semanas antes que elas sejam prensadas; e também apenas alguns deles ainda estão iniciando os processos de purificação para promover a produção de um óleo de melhor qualidade. Boa parte dessas pequenas indústrias ainda espera exportar o seu óleo a granel para países como a Itália, que podem aproveitá-lo em possíveis blends. Então, vamos conhecer um pouco melhor estes lugares e suas características.

Argélia

Dominada pelos impérios Romano, Bizantino e Otomano, a Argélia foi também invadida pelos árabes entre os séculos VII e VIII. Os mouros deixaram como legado, além da religião muçulmana, muito de sua cultura.

Sua agricultura se concentra, principalmente, nos vales férteis do norte do país e nos oásis do Saara; sendo a oliva uma de suas principais culturas. Ocupando cerca de 200 mil hectares, seus olivais são tomados principalmente pelos cultivares chemial e azeradj, sendo esta última também utilizada para o consumo de olivas de mesa.

O plano de desenvolvimento agrícola do país vem expandindo a área dos olivais e modernizandoas, porém a qualidade do óleo produzido ainda não é das mais altas.

Marrocos

Antiga província romana e também invadida pelos árabes no século VII, o atual reino de Marrocos tem na agricultura uma crucial força de trabalho, e seu consequente importante papel na economia.

Uma característica muito peculiar desse país está em sua relação com seu principal cultivar, uma vez que nenhum outro possui uma proporção tão elevada da produção de um mesmo cultivar, a picholine marocaine, que está representada por cerca de 98%.

Existem, atualmente, diversos estudos sendo feitos no Marrocos pelo COI (Conselho Oleícola Internacional), que sugerem um maior investimento em sua indústria olivícola, já que hoje é o país com maior potencial de aumento na produção do óleo de oliva em todo o Mediterrâneo.

Tunísia

O cultivo de azeitonas na Tunísia se estabeleceu no período de domínio cartaginês e, desde então, veio se desenvolvendo. Hoje, o país é o quarto maior exportador de azeite de oliva do mundo, e o primeiro fora da União Europeia. Sua olivicultura possui um papel muito importante na economia do país, contribuindo com cerca de 50% de todas as exportações agrícolas e ocupando uma área total de aproximadamente 1,6 milhões de hectares. Boa parte dessa produção é exportada a granel para blends posteriormente elaborados na Itália e Espanha.

O país possui uma grande quantidade de microclimas, o que permite o cultivo de diferentes variedades do fruto, dentre eles chamlali e chetoui, as duas principais, e algumas outras como meski, oueslati, zalmati e chamchali. O óleo de oliva tunisiano de melhor qualidade é produzido na região de Cartago, possuindo aroma e sabor que lembram o de frutas frescas. ( da revista adega ).

sábado, 26 de setembro de 2009

Azeite extra virgem português

1 Andorinha Vintage 2009

Produtor: Grupo Sovena
Região: Portugal
Importador: Bunge Alimentos
Blend: não informado
Acidez máxima: 0,3%
Preço: R$ 23 (250 ml)

Marca criada pelo grupo Sovena somente para exportação, o Andorinha tem no Brasil seu maior mercado. Para se destacar entre seus produtos mais tradicionais, eles resolveram criar os Vintage. Este 2009, por estar bastante fresco (a data de envasamento é recente), surpreendeu. Trata-se de um bom frutado leve. Seus aromas lembram tomate, maçã verde e tons herbáceos, com cheiro bem delicado. É um óleo relativamente complexo, pois apresenta amargor, picância e também uma sensação levemente adocicada. Pode harmonizar-se desde saladas até peixes.

2 Companhia das Lezírias
Produtor: Companhia das Lezírias
Região: Ribatejo, Portugal
Importador: D'olivino
Blend: Arbequina e Cobrançosa
Acidez máxima: 0,3%
Preço: R$ 39 (500 ml)

Apesar de tradicional em vinhos e de plantar oliveiras desde 1910, o business de azeites da Companhia das Lezírias é novo - com olivares plantados há quatro anos, produzindo as portuguesas Galega e Cobrançosa, e a espanhola Arberquina. Este óleo é feito com esta variedade estrangeira e a Cobrançosa. No aroma, apresenta tons herbáceos. Possui um sabor mais amendoado (de azeitonas colhidas mais maduras) e pouco picante. Um azeite bom para saladas com verduras mais leves, com tomate, alface, e também com legumes cozidos.

3 Fonte Mouro
Produtor: Sociedade Agrícola Monte Novo e Figueirinha
Região: Beja, Portugal
Importador: D'olivino
Blend: Galega, Cordovil e Cobrançosa
Acidez máxima: 0,4%
Preço: R$ 30 (500 ml)

Do mesmo produtor do Herdade da Figueirinha (já avaliado por ADEGA) e que produz vinhos de mesmo nome (Fonte Mouro), da região do Alentejo. Um blend das variedades Galega (a mais tradicional de Portugal), Cordovil e Cobrançosa. É um azeite bem leve (frutado) nos aromas e sabores. Apresenta pouca picância, e um bom amargor na língua. É um bom acompanhamento para saladas, especialmente com verduras mais amargas como endívia, radiccio etc.

4 Herdade do Esporão Seleção
Produtor: Herdade do Esporão
Região: Alentejo, Portugal
Importador: Qualimpor
Blend: Galega, Cordovil e Verdeal
Acidez máxima: 0,4%
Preço: R$ 36 (500 ml)

Tradicional pela produção de vinhos, desde 1997 a Herdade do Esporão também se dedica aos azeites. Recentemente, a marca lançou novas embalagens no Brasil. Este Seleção, de bela garrafa estilizada negra (que protege o líquido da luz), apresenta um suave aroma, que lembra maçã verde. Na boca, é bastante amargo e pouco picante. Harmoniza-se muito bem com saladas de verduras mais amargas (lembrando que as combinações de azeite com comida são sempre por similaridade de paladar e nunca por contraste), e também com pratos preparados com carnes brancas.


5 La Morenita
Produtor: Sociedade Industrial e Comercial de Azeites
Região: Estremoz, Portugal
Importador: Napolitano
Blend: não informado
Acidez máxima: 0,8%
Preço: R$ 17 (500 ml)

Para acompanhar fazer frente à inusitada situação do nome espanhol em azeite português, seu aroma é bastante exótico e lembra maracujá. Isso mesmo, algo raro. É um óleo com bom amargor e picância bem leve. Como apresenta um pouco de acidez no palato, acompanhará bem um peixe marinado preparado com tempero de limão, um cebiche (ou ceviche), por exemplo.

6 Rosmaninho

Produtor: Cooperativa Olivicultora de Valpaços
Região:Trás-os-Montes, Portugal
Importador: Dan-Bru
Blend: Verdeal, Madural e Cobrançosa
Acidez máxima: 0,3%
Preço: R$ 20 (500 ml)

Da DOP (Denominação de Origem Protegida) de Trás-os-Montes, que representa a maior parte da produção de azeites portuguesa - exatamente com os olivares das variedades do blend deste óleo: Verdeal, Madural e Cobrançosa. Também um frutado leve, este extravirgem tem um aroma sutil, que lembrou funghi e apresentou uma nota de untuosidade. Apresenta bom amargor e picância (polifenóis) bem leve. Segue bem com saladas verdes e amargas.

7 Triunfo
Produtor: Manuel da Silva Torrado, SICA
Região: Alentejo, Portugal
Importador: Casa Flora
Blend: Galega, Cobrançosa, Verdeal, Cordovil etc
Acidez máxima: 0,7%
Preço: R$ 15 (500 ml)

Também produzido e embalado pelo grupo SICA (Sociedade Industrial e Comercial de Azeites), com sede em Estremoz, no Alentejo. Como todos os portugueses avaliados, também é um frutado leve. O aroma contém toques herbáceos bem sutis. Sente-se uma verdura no nariz, que lembra chicória. Ele é pouco amargo no palato, mas bastante picante (talvez o mais picante - que representa a presença de polifenóis - entre os portugueses provados). Por conta disso, este extravirgem combinará bem com alimentos mais condimentados, como cozidos à portuguesa, por exemplo.

8 Vila Flor Gold Reserve
Produtor: Dumércio Comércio Internacional
Região: Trás-os-Montes e Alto Douro, Portugal
Importador: Casa Flora
Blend: Cordovil, Verdeal e Madural
Acidez máxima: 0,5%
Preço: R$ 17 (500 ml)

A linha Vila Flor tem diversos azeites, varietais e blends. Este é uma mistura de três olivas: Cordovil, Verdeal e Madural; das regiões do Alto Douro e Trásos- Montes. Este óleo, de aroma herbáceo bem discreto, é, contudo, bastante amargo (lembrando, mais uma vez, que amargor não é defeito) e pouco picante. E, já que é um azeite português, vale uma combinação típica com a famosa "sopa de grelos" ou outras sopas preparadas com legumes mais amargos da região do Minho, por exemplo.

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