CITAÇÃO : "Imaginar é mais importante do que saber. O conhecimento é limitado. A imaginação abarca o universo." Albert Einstein
quinta-feira, 7 de abril de 2011
quarta-feira, 6 de abril de 2011
terça-feira, 5 de abril de 2011
A maior foto em ambiente fechado do mundo
Uma fotografia em 360 graus da biblioteca do mosteiro de Strahov, na cidade de Praga, República Tcheca, lançada na última quinta-feira (24/3), é a maior imagem já produzida em ambiente fechado do mundo. Composta por 2,9 mil fotos anexadas, a imagem possui 280,000 x 140,000 pixels de resolução e, ao todo, ocupa 280 Gb de espaço em disco.
A imagem foi composta pelo fotógrafo e criador do site 360 Cities, Jeffrey Martin, utilizando uma câmera Canon 550D. A biblioteca barroca tem cerca de 868 anos e fica dentro de um dos principais mosteiros da capital tcheca. Para produzir a fotografia, foram necessários cinco dias de imagens feitas pelo robô alemão GigaPanBot. Martin levou outras 111 horas para juntar todas as imagens (do olhar digital ).
Você pode conferir o resultado neste site
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Como uma degustação foi capaz de mudar o mapa da vitivinicultura mundial?
"Steven (Spurrier) certamente não quis causar uma guerra entre Estados Unidos
e França. Ele só queria introduzir os vinhos californianos no país, que eram
pouco conhecidos pelos entendidos", afirma George M. Taber, único jornalista
presente no evento que viria a ser conhecido como "Julgamento de Paris". Mas foi
a partir de um brevíssimo artigo escrito por esse "Homero" moderno e publicado
na prestigiada norte-americana revista Time, na segunda- feira, 7 de junho de
1976, que se desencadeou uma das maiores revoluções da vitivinicultura mundial,
com a quebra do paradigma em torno do sagrado terroir francês e de que somente
ele era capaz de produzir vinhos de excelência.
Antes do Julgamento, o mundo do vinho estava dividido entre a França - que
produzia os santos néctares consagrados universalmente - e o resto do planeta,
que tentava copiar os franceses de alguma forma. E, segundo os próprios
franceses e grande parte da crítica, sem sucesso. Assim, esse evento, de
resultado totalmente inesperado, fez com que a inabalável crença da
superioridade francesa ruísse e abrisse caminho para o que temos hoje, ou seja,
vinhos de excelente qualidade produzidos em quase todos os terroirs do globo,
vinhos que podem até competir em pé de igualdade com os ícones da França. Se não
fosse pelo Julgamento, os vinhos do Novo Mundo ainda seriam vistos como de
segunda linha.
Uma vitória improvável
A ideia
de contrapor franceses e norte-americanos em degustação foi de Patricia
Gallagher, então sócia de Spurrier - na época era apenas dono de uma loja de
vinhos em Paris e de uma escola para cursos sobre esta bebida. Eles então
queriam aproveitar como mote a celebração dos 200 anos da Independência dos
Estados Unidos. Para preparar o evento, foram à Califórnia provar os vinhos
pessoalmente. Muitos dos vitivinicultores não quiseram recebê-los. Vários
ficaram aborrecidos com a "infeliz" ideia de "humilhar" os norte-americanos
justamente no ano de seu bicentenário. Ou seja, nem eles acreditavam que seus
vinhos poderiam fazer frente aos franceses.
"Planejei a degustação para chamar a atenção para a qualidade do vinho
californiano. Teria ficado feliz com um segundo e quarto lugares, não esperava
duas primeiras colocações! É importante deixar claro que minha ideia original
não incluía uma degustação às cegas comparativa. O evento só tomou esse formato
depois de eu perceber que apenas uma pessoa - Aubert de Villaine, que era casado
com uma californiana - já havia provado os vinhos da região, e que o resto dos
jurados veria esses vinhos de forma errada, como vindos de uma região ao norte
do México. Então, a degustação às cegas foi o mais apropriado.
Jurados
Pierre Bréjoux- inspetor geral das AOC (Appellation
d'Origine Contrôlée) francesas, que controla a produção dos principais vinhos do
país.
Michel Dovaz- professor da Académie du
Vin.
Claude Dubois-Millot-diretor de vendas do GaultMillau,
guia de restaurantes, vinhos,hotéis etc na França
Odette
Kahn- editora da Revue du Vin de France, a principal revista de vinhos
do país
Raymond Oliver- proprietário e chefe do Le Grand
Véfour, um dos mais celebres restaurantes franceses, datando do século
XVIII.
Pierre Tari- proprietário do Château Giscours e
secretário geral da Associação dos Grands Crus Classés.
Christian
Vannequé- sommelier do La Tour d'Argent, provavelmente o mais famoso
restaurante de Paris.
Aubert de Villaine- co-proprietário do
Domaine de La Romanée-Conti.
Jean-Claude Vrinat-
proprietário do Taillevent, restaurante três estrelas de Paris.
Uma derrota histórica
Às 3h da
tarde daquele fatídico 24 de maio de 1976, nove jurados de renome (ver tabela)
se reuniram no Hotel InterContinental para avaliar Chardonnays e Cabernet
Sauvignons. Não imaginavam que a hegemonia do vinho francês estava "ameaçada".
Assim que foram servidos os brancos, logo uma pequena confusão se instalou, com
alguns degustadores confundindo vinhos californianos com franceses e vice-versa.
O resultado: Chateau Montelena em primeiro lugar. Mais do que isso, dos cinco
primeiros lugares, três eram norte-americanos. Mais do que isso ainda, nenhum
dos jurados deu o primeiro lugar a um francês, todos fi caram entre Montelena
(seis dos nove) e Chalone (três).
Aí começava a ruir o trono da França. "Alguns jurados já tinham tido contato
com os vinhos da Califórnia, mas a maioria não. Talvez por não estarem
familiarizados, eles pensaram que seria como os vinhos da Argélia ou de outros
lugares quentes; rude e não muito sofisticado. Eles subestimaram a qualidade das
bebidas californianas", atesta Taber, único jornalista a comparecer. "Se o vinho
fosse bom, todos pensavam que era francês. Montelena e Stag's Leap também tinham
um estilo mais ou menos parecido com os da França", lembra Spurrier.
Para Bo Barret, enólogo chefe de Montelena, filho de Jim Barret, proprietário
da vinícola, "o truque era se ocultar, apenas fazer um bom vinho com pureza,
sabores pungentes e ótimo equilíbrio. Você precisa lembrar que a ideia da
degustação não era dizer quais vinhos eram da Califórnia ou da França. O
objetivo era escolher o mais saboroso"
Quando o resultado do flight de brancos foi anunciado por Spurrier, surpresa
geral. Assim que os tintos foram servidos, a coisa ficou mais séria. Os
comentários mais sisudos. As caras mais fechadas. Depois de dadas as notas, o
resultado novamente foi uma vitória californiana, com o Cabernet da Stag's Leap.
Porém, dessa vez, a pontuação foi mais apertada e o Stag's Leap só foi o
favorito de um dos jurados. Sendo o Haut-Brion o preferido de três. Mayacamas e
Ridge Monte Bello também estiveram no topo da lista de dois degustadores (veja
tabela de resultados).
"Não esperava que o Julgamento fosse tão importante, mas ele se mostrou um divisor de águas na história do vinho"
Assim
que o evento acabou, alguns se revoltaram. "Se não houvesse um jornalista na
degustação seria muito mais fácil para qualquer um negar que aquilo de fato
ocorreu, ou que ocorreu de outra maneira.
Tive sorte de ser esse jornalista, de estar em Paris durante o Julgamento.
Nunca imaginei que o evento fosse ter o impacto que teve. Não posso alegar que
sabia disso antes de a degustação começar ou até mesmo imediatamente após seu
final. A força disso tudo só ficou clara depois de algum tempo", conta Taber,
hoje aos 68 anos, e que no dia seguinte ao evento completou 34.
Caso o editor da Time em Nova York não tivesse gostado da história, o mundo
do vinho permaneceria o mesmo. Contudo, dias depois, lá estava a história
curtíssima, sem qualquer destaque, publicada na revista (cuja capa tratava de
problemas no exército norte-americano) com o nome de Julgamento de Paris. Poucos
seriam capazes de prever o que poucas linhas de texto causariam na
vitivinicultura mundial. Subitamente, os vinhos de Montelena desapareceram das
prateleiras norte-americanas, mas isso seria apenas a reação inicial de uma
revolução que estava prestes a se desenrolar. "Não esperava que o resultado do
Julgamento fosse tão importante, mas ele se mostrou um divisor de águas na
história do vinho", afirma Spurrier. "Recebi muita reação das pessoas na Europa.
Na semana seguinte, estava em Bruxelas para outra pauta, e lembro de muita gente
perguntando sobre isso. Aquilo foi fora do comum. Para os editores e para mim,
era apenas mais uma história. Ninguém, especialmente eu, percebeu naquele
momento que aquilo se tornaria um evento histórico", acrescenta Taber.
Segundo as palavras do jornalista, no dia anterior à degustação, a França
estava no pedestal e enólogos de outras áreas tinham ambições modestas. "No dia
seguinte, as coisas começaram a mudar." A repercussão do evento foi tamanha que
pôs em xeque o reinado francês quando se tratava de vinhos de alta gama. Naquela
época, ninguém duvidava que era possível fazer bons vinhos correntes em países
fora da Europa. Contudo, o ideal e a mítica do vinho francês eram tamanhos que
poucos se julgavam capazes de desafiá-los quando o assunto eram vinhos de
excelência. O "sagrado" terroir francês era inquestionável.
Sem querer, a Califórnia - cuja indústria vinícola na década de 1970 ainda
era muito incipiente, apesar dos grandes progressos feitos no Napa Valley,
especialmente com a implantação das técnicas e pesquisas da Universidade da
Califórnia Davis (UC Davis) - se meteu numa "guerra" que teve um resultado
inesperado e marcante.
A partir dessa data, o mundo abriu os olhos para todos os países produtores
de vinho como potenciais terroirs para produzir vinhos top. "A degustação
encorajou os produtores de todos os cantos a fazer vinhos melhores. Os
vinicultores diziam que se a Califórnia conseguia produzir vinhos de qualidade
superior aos da França, então eles também poderiam, desde que adotassem
procedimentos similares aos dos dois países", garante Taber.
Para Taber, outro benefício direto do Julgamento foi a "melhora
impressionante na qualidade dos vinhos mais baratos. Antigamente, os vinhos
comuns não eram muito bons". Já Spurrier aponta que "a importância do Julgamento
está no fato de essas degustações de 'vinhos desconhecidos contra vinhos
famosos' serem totalmente aceitas agora. As degustações mostraram que, para
agregar reconhecimento a um produto, ele tem que ir contra os valores de
referência".
Campeão do Chardonnay queria ser campeão do
Cabernet?
Segundo Bo Barret, do Chateau
Montelena, ter vencido entre os Chardonnays no Julgamento de Paris não mudou a
mentalidade da vinícola, que, na verdade, queria era se tornar referência entre
os Cabernet Sauvignons do mundo. "O sucesso de nosso Chardonnay não mudou nossa
determinação e nossos planos de fazer um Cabernet Sauvignon de nível mundial. É
possível que, dado o sucesso de nosso Cabernet, que é independente do Julgamento
de Paris, Montelena talvez fosse um 'Premier Cru' californiano, produzindo
somente Cabernets, similar aos Châteaux de Bordeaux. Não foi exclusivamente o
Julgamento que nos alçou à posição que estamos hoje. Em 2005, Montelena era
muito mais conhecido e respeitado por seus tintos, que dominavam aqui desde
1978, e que significam cerca de 60 a 75% da produção atual. Então, não é de se
estranhar que digamos que há uma probabilidade razoável de que olhemos da mesma
maneira para o sucesso dos nossos tintos", revela o enólogo norte-americano.
Mundo aberto para o vinho
"A indústria de vinhos norte-americana, mais exatamente a da Califórnia, desenvolveu um estilo próprio. Na época do Julgamento, os norte-americanos estavam tentando 'copiar' o estilo francês, e o fizeram muito bem", afirma Taber. E isso é confirmado com o que teria dito Joe Heitz, proprietário da Heitz Cellars na época quando Spurrier veio selecionar seu vinho: "Meursault Charmes é o vinho favorito da minha esposa, e é o que tento fazer aqui".
"A indústria de vinhos norte-americana, mais exatamente a da Califórnia, desenvolveu um estilo próprio. Na época do Julgamento, os norte-americanos estavam tentando 'copiar' o estilo francês, e o fizeram muito bem", afirma Taber. E isso é confirmado com o que teria dito Joe Heitz, proprietário da Heitz Cellars na época quando Spurrier veio selecionar seu vinho: "Meursault Charmes é o vinho favorito da minha esposa, e é o que tento fazer aqui".
Segundo o jornalista, mais tarde, influenciados pelo estilo de vinho que Robert Parker gosta, os vinicultores norte-americanos começaram a produzir vinhos mais ousados. "Não é todo mundo que gosta desse estilo, mas é diferente", diz Taber. Já Spurrier aponta que um dos prejuízos do Julgamento foi exatamente a falta de expressão dos vinhos de alguns produtores. "O sucesso dos vinhos da Califórnia subiu na cabeça dos produtores e fez com que os preços subissem muito, e, na maioria das vezes, eles não valem tudo isso. Esses vinhos e de muitos outros países do Novo Mundo, são feitos para impressionar, ao invés de 'expressar', e essa abordagem é completamente equivocada", lamenta o crítico britânico.
No entanto, assim que a poeira baixou, os franceses começaram a aceitar melhor a redistribuição do mapa mundi dos vinhos e olhar para o que estava sendo feito ao redor do planeta. "Depois de a confusão ter acabado, a nova geração de produtores de vinho foi para a Califórnia para ver o que estava acontecendo, e o resultado disso foi uma certa descrença nos hábitos do passado", anota Spurrier. "O Julgamento abriu os olhos dos produtores europeus. Depois dele, inúmeras vinícolas francesas começaram a enviar gente aos Estados Unidos para ver o que acontecia lá. A consequência mais importante do Julgamento foi o Opus One, joint venture formada pelos Rothschild e Mondavi. Todas as grandes companhias internacionais passaram a olhar para o mundo todo como sendo um grande campo para se plantar", afirma Taber.
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30 anos depois, Spurrier refez a degustação do Julgamento e o Ridge Monte Bello venceu, provando a longevidade dos vinhos do Novo Mundo |
Ideal francês está
morto?
Ninguém duvida da força que o Julgamento de Paris teve na vitivinicultura mundial. Tanto que, a partir daí, produtores do mundo todo começaram a pôr à prova seus vinhos. Em 2004, por exemplo, Eduardo Chadwick, da Viña Errazuriz, no Chile, resolveu promover a "Degustação de Berlim", em que opôs seis vinhos chilenos com grandes vinhos franceses e italianos. Diante de uma plateia atônita, Chadwick viu dois de seus vinhos vencerem a prova.
Ninguém duvida da força que o Julgamento de Paris teve na vitivinicultura mundial. Tanto que, a partir daí, produtores do mundo todo começaram a pôr à prova seus vinhos. Em 2004, por exemplo, Eduardo Chadwick, da Viña Errazuriz, no Chile, resolveu promover a "Degustação de Berlim", em que opôs seis vinhos chilenos com grandes vinhos franceses e italianos. Diante de uma plateia atônita, Chadwick viu dois de seus vinhos vencerem a prova.
Dois anos depois, em 2006, foi a vez de Spurrier repetir a prova que havia feito 30 anos antes. "Refizemos o Julgamento simultaneamente em Londres e no Napa Valley. Os mesmos 10 vinhos tintos foram provados por nove degustadores (Christian Vannequé e Michel Dovaz, dois dos jurados originais de 1976 estavam no Napa e em Londres, respectivamente). E os vinhos da Califórnia ficaram com as cinco primeiras colocações", lembra consultor editorial da revista inglesa Decanter.
Na ocasião, os mesmos tintos, das mesmas safras da prova de 1976 foram degustados e, desta vez, venceu o Ridge Monte Bello 1971. Spurrier fez esta "contraprova" para tentar calar os críticos que o acusavam de comparar "maçãs com laranjas" e garantiam que, em 1976, os vinhos franceses ainda não demonstravam todo o potencial que poderiam e que os californianos não aguentariam a prova do tempo. "Se você comparar vinhos da mesma variedade e das mesma safra, tudo o que está isolando é o terroir e o processo de produção. Portanto, a comparação é totalmente válida", garante o britânico.
Ele, porém, não acredita que os vinhos franceses tenham deixado de ser um referencial de qualidade para o resto do mundo: "A meu ver, a França ainda é referência nos vinhos do Novo Mundo. O ideal dos vinhos franceses ainda está longe de estar morto", afirma. Ponto de vista compartilhado por Taber, que diz: "O vinho francês ainda está entre os melhores do mundo, mas a França não é mais considerada o único local onde se faz excelentes vinhos. A Itália e a Espanha produzem ótimos vinhos. O Novo Mundo está produzindo vinhos marcantes. Isso não acontecia na década de 1970. Lá, era a França que produzia boas bebidas".
E Taber finaliza defendendo o Julgamento mais uma vez: "Acredito que esse evento tenha sido benéfico para todo o mundo do vinho. Ele pode ter enfraquecido o mito dos vinhos franceses e tê-los tirado de seu trono, mas, ao mesmo tempo, trouxe mais consumidores para esse mundo, fato que beneficiou a todos, inclusive os franceses" ( da revista Adega ).
domingo, 3 de abril de 2011
sábado, 2 de abril de 2011
sexta-feira, 1 de abril de 2011
Imagens fascinantes da natureza
As imagens deste post são do fotógrafo alemão Wolfgang Uhlemann. Em suas próprias palavras, ele nos conta que o seu amor pela fotografia começou quando ele tinha apenas 12 anos de idade.
"Desde quando eu tinha 12 anos, eu tive a minha primeira experiência com a fotografia, juntamente com meu pai no clube de cinema e fotografia de Frankenberg na antiga República Democrática Alemã. Meu pai faleceu quando eu tinha 14 anos e deixou o seu equipamento a ser utilizado apenas por mim. Em meus anos como um apicultor aprendi a apreciar e amar a natureza." veja aqui , outras imagens.
quinta-feira, 31 de março de 2011
O Brasil na Biblioteca Digital Mundial
Está na rede um verdadeiro baú do tesouro para quem gosta de garimpar
informações históricas e curiosidades que não cabem nos livros didáticos ou que
passam ao largo da pauta da mídia de massa. Trata-se da Biblioteca Digital
Mundial (http://www.wdl.org), desenvolvida pela Biblioteca
do Congresso dos EUA com apoio da Unesco, recursos de uma série de empresas e
fundações privadas, como a Google e a Microsoft, e contribuições de várias
instituições culturais de todo o mundo, das maiores bibliotecas da Europa ao
Arquivo Nacional do Haiti, passando pela Biblioteca Nacional do Brasil.
São manuscritos, mapas, livros raros, gravações, filmes, gravuras,
fotografias, desenhos arquitetônicos e até partituras. Todos os itens são
acompanhados por textos explicativos e podem ser pesquisados pelos usuários por
lugar, período, tema, tipo de mídia e instituição cedente do material, ou podem
ser localizados simplesmente por meio de um bom e velho formulário de pesquisa.
Tudo gratuito e em sete idiomas diferentes.
‘Prosperidade da Companhia das Índias Ocidentais’
A Biblioteca Digital Mundial disponibiliza 143 documentos sobre o nosso país.
São preciosidades como um mapa detalhado do Império do Brasil datado de 1873 e
desenhado pelo engenheiro militar Conrado Jacob Niemeyer, que construiu com seus
próprios recursos a estrada que leva seu nome ligando os bairros cariocas do
Leblon e de São Conrado, assim batizado por causa da igrejinha de São Conrado,
também construída pelo intrépido coronel.
Chama também a atenção algumas das fotografias da coleção de mais de 20 mil
imagens reunidas por Dom Pedro II e doadas à Biblioteca Nacional. Uma delas
mostra uma parada no Largo do Paço Imperial, no centro do Rio, por ocasião do
casamento da princesa Isabel com o Conde d’Eu, celebrado em 15 de outubro de
1864.
Outra raridade é um folheto de 1642 intitulado “Prosperidade da Companhia das
Índias Ocidentais”, contendo uma série de propostas para aumentar os lucros e os
dividendos dos acionistas da companhia, sobretudo na colônia que os holandeses
mantiveram no nordeste brasileiro entre os anos de 1624 e 1654, abordando o
comércio do principal produto da colônia, o açúcar, o financiamento da força
militar da Companhia das Índias Ocidentais e mencionando uma série de questões
relacionadas à escravidão.
A natureza brasileira segundo Theodore Roosevelt
Os arquivos sobre o Brasil na Biblioteca Digital Mundial revelam fatos
inusitados da história do país, muitas vezes desconhecidos do grande público.
Entre esses fatos e curiosidades estão as aventuras de ninguém menos do que o
ex-presidente norte-americano Theodore Roosevelt pelo interior do Brasil na
companhia do célebre explorador Cândido Rondom.
Depois de não conseguir se reeleger para um terceiro mandato à frente da Casa
Branca, Roosevelt planejou uma viagem ao Brasil. Ao saber do interesse do
ex-presidente dos EUA por desbravar os trópicos, o governo brasileiro da época,
chefiado por Hermes da Fonseca, convidou-o para se juntar a Rondom em uma
expedição para desbravar o Rio da Dúvida. A aventura de Roosevelt nas florestas
brasileiras só terminou no dia 27 de fevereiro de 1914, depois de o estadista
chegar a ficar gravemente doente.
Toda a expedição está documentada no livro “Através da natureza brasileira”,
escrito pelo gringo mais do que ilustre e ilustrado com fotografias do seu
filho, Kermit. E o Rio da Dúvida, que nasce em Rondônia e deságua no Rio
Madeira, é hoje chamado de Rio Roosevelt ( do opinião e notícia ).
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