Tudo está bem na colmeia. Milhares de abelhas, cada uma com sua função, trabalham numa harmonia perfeita. Até que algo estranho acontece. Sem motivo aparente, as abelhas surtam: simplesmente abandonam a colmeia, deixando para trás suas larvas, para nunca mais voltar.
Ninguém sabe para onde elas foram, nem se ainda estão vivas - pois não há rastros ou insetos mortos nos arredores da colmeia. É um comportamento muito estranho, eque está se espalhando pelo mundo: as abelhas de 10 países já apresentaram essa síndrome, que foi batizada de colony collapse disorder (“desordem de colapso de colônia”, em inglês).
Só nos EUA, o lugar mais afetado pela doença, 50 bilhões de abelhas sumiram, esvaziando 40% das colmeias do país. Os primeiros casos da síndrome apareceram em 2006, mas só agora os cientistas descobriram o que está fazendo as abelhas fugir. “É uma infecção por vírus, que danifica o código genético dos insetos”, afirma a entomóloga May Berenbaum, da Universidade de Illinois.
Esse vírus, que ainda não foi isolado, causa modificações em 65 genes dos insetos – e isso é que estaria provocando o comportamento bizarro das abelhas, cujo desaparecimento pode ter consequências muito mais graves do que a falta de mel. As abelhas são responsáveis pela polinização de mais da metade das 240 mil espécies de plantas floríferas que existem no mundo. Sem as abelhas, essas plantas não teriam como se reproduzir e sobreviver. Se um mundo sem abelhas já seria ruim, imagine sem flores. (planeta sustentável).
Da Amazônia foram lançadas na atmosfera uma média de 800 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) por ano entre 1998 e 2008, apenas com desmatamento. A margem de erro é de 15%, para cima e para baixo. A taxa chega perto ao crescimento das emissões dos Estados Unidos entre 1990 e 2007 - 830 milhões de toneladas de CO2 equivalente - conforme dados das Nações Unidas (ver aqui). As emissões globais de CO2, juntando as “mudanças no uso da terra”, como desmatamento e agricultura, com a queima de combustíveis fósseis é de 32 bilhões de toneladas anuais.
Isso posiciona a contribuição do bioma entre 1,1% e 1,9% das emissões globais e representa entre 16% e 20% das emissões brasileiras de todos os setores, em 2008. As estimativas foram apresentadas hoje pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em Brasília. Pará, Mato Grosso e Rondônia, estados campeões de desmatamento neste período, são as unidades da Federação que mais contribuíram com as emissões brasileiras.
Para que o Brasil atinja sua meta de chegar em 2020 com um corte nacional de até 40% nas emissões, a contribuição anual da Amazônia deverá passar dos 800 milhões de toneladas anuais de CO2 medidas naquela década para 200 milhões de toneladas anuais. A taxa de sete mil quilômetros quadrados desmatados entre 2007 e este ano passado é importante, mas é preciso manter as derrubadas sob controle, mesmo com crescimento da economia. Anos eleitorais, como o que chega, registram picos históricos de desflorestamento.
O trabalho realizado em dois meses sob a batuta da pesquisadora Ana Paula Dutra de Aguiar (Inpe) estimou em 210 toneladas por hectare a biomassa das áreas desmatadas na região. Cerca da metade desse material se transforma em CO2. Outras áreas da Amazônia são ainda mais ricas em biomassa, informou a especialista.
O levantamento também mostra que um quarto da área desmatada ganha novo verde com o crescimento da chamada “vegetação secundária”. No Pará, Mato Grosso e Rondônia a área regenerada somada chegaria ao tamanho do estado do Rio de Janeiro. No entanto, metade desta nova floresta é novamente derrubada. “Não se pode contar de novo essas emissões, se não inflacionaríamos a conta nacional”, disse Jean Pierre Ometto, do Inpe. Ele também alertou que o Cerrado é grande contribuinte para as emissões brasileiras, mesmo com o crescimento da fatia verificada em outros setores, como indústria.
Por isso, quando o monitoramento sobre desmates chegar a todos os outros biomas - no Cerrado começou há cerca de um ano - será possível apontar com mais precisão as emissões brasileiras por perdas de vegetação nativa. Por enquanto, é feito com base em mapas não oficiais e grande dose de estimativas. “O que não aparece não quer dizer que não exista”, lembrou José Marengo, do Inpe.
Novo inventário
Na apresentação dos dados, Sérgio Rezende, ministro de Ciência e Tecnologia, disse que 70% do trabalho para o novo inventário nacional de emissões está concluído e já serve de base para as metas brasileiras que serão apresentadas em Copenhague. “Estamos mais otimistas agora do que há um mês sobre os resultados de Copenhague. Pela mobilização de outros países e porque o Brasil está fazendo essa ponte entre países desenvolvidos e em desenvolvimento”, comentou o ministro Carlos Minc.
Ainda segundo ele, o inventário começou a ser trabalhado de forma expressa há dois meses e abarcará emissões de todos os setores até 2005. Uma primeira versão deve ser lançada no início do ano que vem, com versão definitiva no segundo semestre. As metas nacionais devem ser aprovadas no Congresso, como lei. “Dados de alguns biomas ainda não são levados em conta com a devida precisão”, comentou.
Também foi instalado hoje o painel brasileiro de cientistas sobre mudanças do clima, primeiro do tipo criado em um país em desenvolvimento. A direção ficou por conta de Carlos Nobre (Inpe) e Suzana Kahn, secretária do Ministério do Meio Ambiente, ambos ligados ao painel das Nações Unidas sobre alterações climáticas, o IPCC. O grupo tem representantes de órgãos de governo e academia. Seu trabalho não será remunerado, mas recursos virão dos ministérios da Ciência e Tecnologia e Meio Ambiente para viabilizar suas reuniões.
De acordo com Carlos Nobre (Inpe), o painel movimentará a comunidade científica brasileira para produzir e publicar novas e melhores informações sobre as mudanças do clima, com dedicação especial à adaptação a seus efeitos. “Passamos do ponto para evitar aumento de temperatura”, ressaltou.
Segundo Suzana Kahn, o Brasil é carente em literatura científica sobre mudanças do clima e, com o funcionamento do painel, será possível até influenciar os próximos relatórios do IPCC, inserindo visões regionais sobre efeitos e combate aos destemperos climáticos no documento. “Quanto mais conhecimento tivermos sobre vulnerabilidade, mitigação e formas de adaptação, mais influenciaremos os relatórios e melhor desenharemos políticas públicas. Além de colocar o Brasil em melhor posição no cenário internacional”, disse. (oeco)
Quatro expedições oficiais fizeram a Caverna de Trapiá (foto), em Felipe Guerra, ser reconhecida como a maior formação desse tipo no Rio Grande do Norte e uma das maiores do país, com 2.330 metros mapeados.
O estado tem 323 cavernas cadastradas pelo Cecav/ICMBio, em média com trezentos metros. O tamnho de Trapiá é mais de três vezes superior ao da segunda no ranking estadual, com 730 metros, e ultrapassa o de uma das maiores grutas do Nordeste, a Ubajara, no Parque Nacional de Ubajara (CE), com 2.200 metros.
Segundo pesquisadores da Universidade de São Paulo, a caverna descoberta em 2003 é a maior do Brasil em rochas formadas entre 144 e 65 milhões de anos atrás. Em seu interior há grande quantidade de fósseis de animais pré-históricos, como preguiças gigantes. A exploração também revelou "espeleotemas" incomuns, como helictites, velas e as primeiras flores de gipsita em cavernas do Rio Grande do Norte.
A quase quatrocentos quilômetros de Natal, a caverna fica em uma área com baixa ocupação humana e praticamente sem atividades produtivas. Por enquanto, não há ameaças, diz o governo. (oeco)
Até 4 de dezembro você poderá votar na escolha das melhores fotos de 2009 feitas pelos fotografos que trabalham para National Geographic. As fotos de excelente qualidade, dificultam a escolha. Confira e escolha as fotos que estão divididas em 3 categorias: pessoas, lugares e natureza.
Quem bebeu mais: Charles Bukowski, Jack London ou Scott Fitzgerald? Impossível precisar qual quantidade de álcool está na retaguarda da obra dos três escritores americanos que, em vida, não cansaram de expor ao público os seus pileques. Como eles, muitos outros, mais ou menos discretos, tinham o hábito de conjugar os verbos beber e escrever ao mesmo tempo. É o que mostra o "Guia de Drinques dos Grandes Escritores Americanos", que acaba de sair pela Zahar (104 páginas, R$ 34).
Trata-se de um livrinho de capa dura e formato de bolso, ilustrado por Edward Hemingway - ninguém menos do que o neto do escritor - com texto do roteirista de televisão e cinema Mark Bailey. É uma compilação de frases e trechos de livros de 43 autores, entre os quais oito mulheres. Embora grande parte dos escritores fosse adepto do uísque ou de bebidas puras, cada um deles é homenageado com um drinque. As receitas, clássicos da coquetelaria, foram desenvolvidas e testadas pela dupla Hemingway e Bailey, que acrescenta pitadas históricas sobre a criação dos drinques.
Apesar do evidente ar de caça-níquel e das curiosidades a respeito dos autores serem típicas de revistas de celebridades, o livro tem certa graça. Mostra, por exemplo, que se a literatura abriga menos mulheres do que homens, o dito sexo frágil (realmente mais frágil para o álcool) também é capaz de beber em quantidades industriais sem qualquer recato.
"Gosto de um Martini/dois, no máximo/com três estou embaixo da mesa/com quatro, embaixo do anfitrião", dizia a poeta e contista Dorothy Parker. Bebedora contumaz, Parker teve uma vida solitária e seu único romance duradouro parece ter sido com a bebida. Mais versátil na troca de drinques do que na de afetos, passou pelo gim e pelo uísque até descobrir o champanhe. Fato que a levou a poetizar com ironia: "Três são as coisas que nunca terei: inveja, contentamento e champanhe suficiente".
Entre os romancistas, críticos, poetas e roteiristas listados ali, cinco ganharam o Nobel e 15, o prêmio Pulitzer. Mas quando se trata de bebida, os limites entre o prazer e o perigo são tênues, sabe-se. Se farras etílicas foram responsáveis por grandes páginas da literatura, igualmente redundaram em grandes tragédias.
Os textos sobre cada escritor são curtos e navegam de forma a contrapor a inspiração e as crises de criatividade, num turbilhão movido a álcool ou a juras de abstinência. É inacreditável verificar que alguns desses prosadores atingiram o recorde pessoal ao beber 60 horas seguidas e outros, como Jack London, foram capazes de sorver saquê noite e dia durante uma semana de estadia no Japão. Há histórias como a de Jack Kerouac, autor de "On the Road", que, depois de desmaiar num bar de marinheiros no porto de Boston acordou a bordo do SS Dorchester com destino à Groenlândia.
Assim como Marilyn Monroe - que tinha por hábito tomar gim no café da manhã durante as filmagens de "Os Desajustados" (John Huston, 1960) -, a primeira refeição de Hunter Thompson, típica de um alcoólatra, incluía quatro bloody marys. Era a "âncora psíquica" do pai do "jornalismo gonzo" que, mergulhado em álcool e drogas escreveu "Medo e delírio em Las Vegas". O romance virou filme e o ébrio Thompson foi interpretado no cinema por Johnny Depp.
Em matéria de casais embriagados e escandalosos nenhum foi páreo para Zelda e Scott Fitzgerald, que simbolizaram a "geração perdida" e os loucos anos 20. Com o sucesso precoce de Fitzgerald e muito dinheiro no bolso, o par viveu entre Paris e a Riviera francesa indo de festa em festa e alimentando a crônica social com porres homéricos.
Embora menos festejado, o romance entre Lillian Hellman e Dashiell Hammett rendeu incontáveis baixarias. Durante trinta anos a dupla manteve um caso de amor conturbado, cheio de idas e vindas, movido a muitas taças e ressacas inesquecíveis. Numa das ressacas, por vingança, Lillian tomou um avião de Nova York a Los Angeles (onde morava Hammett) só para espatifar o seu bar. Discussões e incidentes potencializados por bebida em excesso foram relatados por ela no livro autobiográfico "Pentimento".
No rol das maluquices, vale a menção a Edmund Wilson, autor de "Rumo à estação Finlândia", que frequentava festas nas quais os convidados, por volta da meia-noite, "quebravam discos na cabeça uns dos outros". O custo da bebida era tão significativo no orçamento mensal dos Wilson que a decisão dos gastos era quantificada em garrafas. "Vamos mandar consertar o cortador de grama; são só dez garrafas de Johnnie Walker", argumentava a mulher para convencê-lo.
Ainda que não se furte a revelar acidentes e suicídios cometidos por consumo desmesurado, o livro procura fazer jus à sua epígrafe. "Aprendi com a experiência que as pessoas que não têm vícios, têm muito poucas virtudes", diz a frase do ex-presidente norte-americano Abraham Lincoln, que inicia o guia.(valor econômico)
A cidade inglesa de Newcastle, situada no norte do país e conhecida por seu histórico industrial e pelos altos índices de poluição, foi eleita ontem a cidade mais “verde” da Inglaterra, empurrando a vencedora do ano passado, Bristol, para o segundo lugar. A lista é feita anualmente pelo “Fórum para o Futuro”, que classifica as 20 cidades mais sustentáveis da Inglaterra, com base em 13 fatores, incluindo reciclagem, poluição e como o governo local está se preparando para reagir à ameaça das mudanças climáticas.
O resultado deste ano tem valor especial, segundo Peter Madden, chefe-executivo do Fórum. Ele mostra que mesmo cidades bastante degradadas em relação ao meio ambiente e com patrimônio industrial forte são capazes de superar seu legado de industrialização. Durante décadas, Newcastle foi enegrecida pelo pó do carvão que alimentava suas fábricas. Depois de anos de reconstrução após seu declínio industrial, a antiga metrópole do norte foi elogiada por sua excelente qualidade do ar, baixos níveis de resíduos, baixas emissões de carbono e elevadas taxas de reciclagem. (oeco)
Um exemplar de espécie desconhecida, com quase dois metros e que vive a mil metros de profundidade, foi capturado durante pescaria para testes com anzol circular. Equipe comandada pelo oceanógrafo Guy Marcovaldi, coordenador nacional do Projeto amar, se deparou com o animal em setembro, quando navegava ao largo da Praia do Forte, na Bahia. O anzol circular é proposto pelos técnicos do projeto em substituição ao em forma de jota, o mais usado nas pescarias, para diminuir a incidência de captura de tartarugas marinhas.
Segundo especialistas, trata-se de um peixe chamado cabeça-de-geleia, da família dos ateleopodídios. A família tem quatro gêneros (Ateleopus, Parateleopus, Guntherus e Ijimaia) e 12 espécies conhecidas no Caribe, Atlântico e Pacifico. A informação é do professor da Universidade Federal da Bahia Claudio Sampaio e os ictiólogos Alfredo Carvalho Filho, pesquisador da Fish-Bizz Ltda, e Matheus Rotundo, da Universidade Santa Cecília.
Essa é a décima terceira espécie nova descrita pelo programa de divulgação do uso de anzóis circulares. Patrocinado pela Petrobras, o Tamar contabiliza a descoberta, nos últimos três anos, de dez espécies de peixes raras ou desconhecidas do Atlântico Sul. Os resultados serão apresentados em trabalhos científicos com publicação prevista para breve. Informações e vídeo: Projeto Tamar.
Foi um reencontro emocionado de dois velhos amigos. O cantor Sting, ex-líder da banda The Police e o líder dos índios kayapó Raoni, abraçaram-se em São Paulo e conversaram sobre a questão da construção hidrelétrica de Belo Monte (principal obra do Programa de Aceleração do Crescimento – PAC – do governo federal). O motivo continua sendo o mesmo que os uniu há vinte anos e continua em pauta já que a licença prévia para a usina deve ser concedida em janeiro de 2010. Depois, ambos receberam a imprensa para uma entrevista coletiva. À noite, cantaram juntos em show que o cantor fez na cidade.
Em 1989 como hoje, os povos indígenas da região não querem a hidrelétrica, que irá trazer inúmeros impactos a eles e aos ribeirinhos também. Em 1989 como hoje, as populações tradicionais têm a mesma queixa: não estão sendo ouvidas nem consultadas.
Decisão é do povo brasileiro
Durante a coletiva, Sting afirmou que a decisão de construir Belo Monte é do povo brasileiro e que ele, como estrangeiro, só poderia reforçar a importância de que todos os brasileiros precisam ser ouvidos. “Governo não conversou com índio”, disse o líder kayapó Megaron, sobrinho de Raoni, presente ao encontro. “Índio não sabe o que é audiência pública. Pensa que é ir lá para brigar”, afirmou. “Governo não sabe ouvir índio. Lula quer usar seu poder para fazer Belo Monte de qualquer jeito”.
O cacique Raoni, falando em língua kayapó, lembrou de quando foi condecorado por Lula. "Quando o presidente me deu medalhas eu perguntei se ele ia assinar a barragem. Ele disse que não ia assinar. Mas ele nunca nos juntou para discutir sobre a barragem. Por isso fico preocupado. Será que ele vai assinar"? E depois mandou um recado plea imprensa presente: "Não quero barragens no Rio Xingu. Espalhem isso".
Raoni também fez questão de dizer que os kayapó querem paz para seus filhos e netos. Afirmou que seu povo está crescendo, que vive da caça e da pesca, de peixe. “Quero comida para meu povo”, disse o cacique.
Belo Monte na ONU
Sting contou aos jornalistas que sua mulher Trudie - com quem fundou a Rainforest US em 1989, depois de ter participado do encontro de Altamira - havia falado na Assembléia Geral da ONU na semana passada contando a história de Raoni e o caso da hidrelétrica de Belo Monte.
"Há 20 anos eu tinha a intuição de que a floresta era importante para o planeta e há algum tempo a ciência comprovou isso”. Sting relembrou a viagem que fez com Raoni a muitos países do mundo divulgando a importância de demarcar os territórios indígenas e levando o protesto dos indígenas contra a construção de Belo Monte.
O primeiro projeto da Rainforest recém-criada foi apoiar o reconhecimento oficial da Terra Indígena Mekragnoti, Kayapó. Em 1991, a TI foi demarcada.
Na década de 1990, a Rainforest passou a apoiar projetos no Parque Indígena do Xingu, em parceria com o ISA. Entre eles, o monitoramento dos limites do Parque para prevenir invasões e o desenvolvimento de um sistema de educação bilíngue para 14 etnias que ali vivem, estimulando o desenvolvimento sustentável e apoiando a Associação Terra Indígena do Xingu (Atix). O Parque Indígena do Xingu é hoje uma ilha verde preservada no coração do Mato Grosso, pressionada de todos os lados pela expansão da fronteira agrícola.
Também no caso dos índios Panará, a Rainforest Foundation e o ISA desempenharam papel fundamental no retorno desse povo ao seu território ancestral, em 1996, 25 anos depois de um exílio forçado no Parque do Xingu para onde foram levados após quase terem sido totalmente dizimados pela construção da BR 163, rodovia que liga Cuiabá a Santarém, na década de 1970. Os Panará também obtiveram uma vitória histórica, em 2003, ao serem indenizados pelo governo brasileiro por decisão da Justiça. (Saiba mais).
Raoni convidou Sting para participar da inauguração da nova aldeia Kayapó, em abril do ano que vem. O cantor disse que tentaria ir e levaria sua mulher Trudie.
O Encontro de 1989
O ISA sempre acompanhou de perto os debates sobre Belo Monte. Já em 1988, por meio do Programa Povos Indígenas no Brasil, do Centro Ecumênico de Documentação e Informação (Cedi), uma das organizações que deu origem ao Instituto Socioambiental (ISA), denunciou os planos de construir hidrelétricas e outras obras de infraestrutura na Amazônia, sem consulta aos povos indígenas, e mobilizou a opinião pública contra essa arbitrariedade.
Para avançar na discussão sobre a construção de hidrelétricas, lideranças kaiapó reuniram-se na aldeia Gorotire em meados de 1988 e decidiram pedir explicações oficiais sobre o projeto hidrelétrico no Xingu, formulando um convite às autoridades brasileiras para participar de um encontro a ser realizado em Altamira (PA). A pedido do líder indígena Paulo Paiakan, o antropólogo Beto Ricardo e o cinegrafista Murilo Santos, do Cedi, participaram da reunião, assessorando os kaiapó na formalização, documentação e encaminhamento do convite às autoridades.
Na seqüência, uniram-se aos kaiapó na preparação do evento. O encontro finalmente aconteceu e o Cedi, com uma equipe de 20 integrantes, reforçou sua participação no encontro. Ao longo desses anos, o Cedi, e depois o ISA, acompanharam os passos do governo e da Eletronorte na questão de Belo Monte, e os impactos que provocaria sobre as populações indígenas, ribeirinhas e todo o ecossistema da região.
O I Encontro dos Povos Indígenas do Xingu acabou ganhando imprevista notoriedade, com a maciça presença da mídia nacional e estrangeira, de movimentos ambientalistas e sociais e do cantor Sting, na época líder da banda The Police, que é sucesso até hoje embora tenha se dissolvido. Cerca de três mil pessoas participaram do evento, entre elas 650 índios de diversas partes do país e de fora, lideranças como Raoni, Marcos Terena, Paulo Paiakan e Ailton Krenak; autoridades como o então diretor da Eletronorte, e hoje presidente da Eletrobrás, José Antônio Muniz Lopes, o então presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Fernando César Mesquita, deputados federais; 300 ambientalistas, e cerca de 150 jornalistas.
Foi nessa ocasião que a índia Tuíra, prima de Paiakan, levantou-se da platéia e encostou a lâmina de seu facão no rosto do diretor da estatal num gesto de advertência. A cena correu o mundo, reproduzida em jornais de diversos países e tornou-se histórica. O evento foi encerrado com o lançamento da Campanha Nacional em Defesa dos Povos e da Floresta Amazônica, exigindo a revisão dos projetos de desenvolvimento da região, a Declaração Indígena de Altamira e uma mensagem de saudação do cantor Milton Nascimento. O encontro de Altamira é considerado um marco do socioambientalismo no Brasil. (ISA)